Escola Bolshoi representa o Brasil no Primeiro Encuentro Latinoamericano de Escuelas de Danza no Chile
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil participou da primeira edição do ELED – Encuentro Latinoamericano de Escuelas de Danza, realizado entre os dias 24 e 27 de julho, em Santiago, no Chile. O encontro reuniu as cinco maiores instituições de ensino da América Latina para promover o intercâmbio cultural, a excelência na formação artística e o fortalecimento dos laços entre as escolas. O encerramento aconteceu no dia 27 de julho, com a Gala de Escuelas Latinoamericanas, quando a Escola Bolshoi representou o Brasil no palco do Teatro Municipal de Santiago.
Ao lado da Escola Bolshoi, participaram do 1º encontro a Escuela SODRE (Uruguai), a Escola de Ballet do Municipal de Santiago (Chile), o ISATC (Instituto Superior de Arte do Teatro Colón) (Argentina) e a Escuela Nacional de Ballet Fernando Alonso (Cuba).
Representando a instituição brasileira estiveram o diretor-geral da Escola Bolshoi, Pavel Kazarian, e os bailarinos da Cia. Jovem Bolshoi Brasil, Maria Eduarda Cabral e Wesley Santos. A dupla apresentou ao público o pas de deux do balé O Quebra-Nozes, uma das obras mais tradicionais do repertório clássico, recebendo o reconhecimento do público presente.
A participação da Escola Bolshoi no ELED reafirma sua atuação no cenário internacional e seu compromisso com a formação de artistas de excelência. Única filial do Teatro Bolshoi da Rússia no mundo, a instituição, sediada em Joinville (SC), segue ampliando sua presença em importantes eventos internacionais e consolidando o Brasil como referência na formação de bailarinos.
Mais do que uma apresentação, a Gala de Escuelas Latinoamericanas celebrou a união entre diferentes culturas por meio da dança, evidenciando o talento das novas gerações e fortalecendo a cooperação entre algumas das mais importantes escolas de balé da América Latina.
Escola Bolshoi
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, com 26 anos de implantação no Brasil, está localizada na cidade de Joinville/SC e concede bolsas de estudo 100% gratuitas para 260 alunos do curso técnico de 24 estados do Brasil. A instituição busca a melhor formação e garante o acesso de crianças ao mundo da cultura, ampliando seus horizontes. A missão da escola é formar artistas-cidadãos, promovendo e difundindo a arte-educação.
A Escola é uma instituição, com personalidade jurídica, de direito privado, sem fins lucrativos, que tem apoio da Prefeitura Municipal de Joinville, do Governo do Estado de Santa Catarina e dos “Amigos do Bolshoi”, empresas e pessoas físicas socialmente responsáveis que contribuem com o projeto por meio de serviços prestados e patrocínios não incentivados ou incentivados por leis de incentivo à cultura municipal, estadual e federal. A Escola Bolshoi conta com o patrocínio de empresas como: Caixa, Diamante Energia, Whirlpool, Aurora, BRDE, Fazzenda Park Hotel, Havan, Supermix, TCP, Unimed Joinville, Ventisol e demais Amigos que contribuem com a arte no país.
Em um universo onde a carreira de um bailarino costuma ser marcada por intensa exigência física e constante renovação, permanecer no topo durante décadas é um feito reservado a poucos artistas. É justamente esse o marco alcançado pela argentina Marianela Núñez, uma das maiores referências do balé clássico contemporâneo e um dos nomes mais emblemáticos do Royal Ballet, de Londres.
Nascida em Buenos Aires, Marianela iniciou sua formação ainda na infância e rapidamente chamou a atenção pelo talento e pela maturidade artística. Ainda muito jovem, deixou a Argentina para integrar uma das companhias mais prestigiadas do mundo, iniciando uma trajetória construída com disciplina, dedicação e um compromisso permanente com a excelência.
Ao longo de quase 30 anos no Royal Ballet, a bailarina interpretou alguns dos papéis mais importantes do repertório clássico e contemporâneo, conquistando reconhecimento internacional por sua técnica refinada, musicalidade e impressionante capacidade de transmitir emoção em cena. Sua carreira tornou-se uma referência para bailarinos de diferentes gerações e nacionalidades, demonstrando que talento, quando aliado ao trabalho consistente, pode ultrapassar fronteiras.
Mesmo após décadas de apresentações nos maiores palcos do mundo, Marianela continua atuando em alto nível, desafiando a ideia de que a longevidade artística é incompatível com a dança clássica profissional. Sua permanência entre as principais estrelas do Royal Ballet evidencia não apenas uma condição física excepcional, mas também uma evolução constante como intérprete e artista.
Mais do que colecionar aplausos e premiações, sua história simboliza a força da perseverança. Em um ambiente extremamente competitivo, onde milhares de jovens disputam espaço nas grandes companhias internacionais, sua trajetória demonstra que resultados duradouros são consequência de preparação, resiliência e paixão pela arte.
Para estudantes, professores e diretores de escolas de dança, o exemplo de Marianela Núñez reforça uma mensagem importante: grandes carreiras não são construídas apenas por momentos de brilho, mas por anos de estudo, disciplina e aprimoramento contínuo.
Sua presença na elite mundial do balé permanece como inspiração para milhares de bailarinos ao redor do mundo e confirma que dedicação e excelência continuam sendo os principais caminhos para transformar sonhos em uma carreira sólida nos maiores palcos internacionais.
SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA AMPLIA INTERCÂMBIO
DE DANÇA ENTRE BRASIL E REINO UNIDO
Projeto reúne circulação internacional, formação artística e colaboração
entre Brasil e Reino Unido, entre 2026 e 2027, com o Dance Consortium
Após uma bem-sucedida turnê internacional realizada em 2024, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) inicia um novo ciclo de intercâmbio artístico e pedagógico com o Reino Unido, ampliando sua atuação. Em parceria com o Dance Consortium — organização que reúne importantes teatros do Reino Unido e da Irlanda para a circulação de companhias internacionais de dança —, a Companhia desenvolverá, ao longo de 2026 e 2027, uma programação que conecta artistas, estudantes, gestores culturais e públicos de diferentes contextos por meio de ações de formação, desenvolvimento de plateia e colaboração institucional.
As primeiras ações aconteceram em março de 2026, com workshops em Birmingham e uma palestra em Londres conduzida pela diretora artística Inês Bogéa, ao lado dos bailarinos Yoshi Suzuki e Thamiris Prata. Os encontros promoveram trocas sobre repertório brasileiro contemporâneo, formação em dança e processos de criação artística, aproximando profissionais britânicos do trabalho desenvolvido pela SPCD. A iniciativa ganha agora um novo desdobramento com a visita ao Brasil de Joe Bates, diretor executivo do Dance Consortium desde 2022, que estará em São Paulo entre os dias 13 e 17 de julho.
Durante a visita, Joe Bates participará de uma série de atividades voltadas ao intercâmbio cultural entre Brasil e Reino Unido. A programação inclui oficinas para professores e equipe pedagógica da São Paulo Escola de Dança, encontros com os bailarinos da São Paulo Companhia de Dança e uma conversa com programadores, gestores culturais e representantes do setor, com tradução simultânea, sobre o funcionamento do Dance Consortium, a organização de turnês internacionais, estratégias de internacionalização, formação de público e modelos colaborativos de circulação artística.
Criado em 2000, o Dance Consortium é uma iniciativa de circulação internacional de dança do Reino Unido. A organização reúne atualmente 24 teatros do Reino Unido e Irlanda que trabalham coletivamente para promover turnês de companhias internacionais de dança contemporânea, além de desenvolver programas educativos e ações de engajamento com diferentes comunidades.
“Por mais de 20 anos, o Consortium vem trazendo dança contemporânea de classe mundial para públicos de todo o país, além de apoiar bailarinos no desenvolvimento de suas habilidades por meio de programas educacionais e participativos de alta qualidade”, afirma Joe Bates. “A parceria com a São Paulo Companhia de Dança amplia essa agenda de colaboração internacional.”
Um dos eixos dessa parceria será o desenvolvimento de ações formativas com jovens estudantes britânicos. Em agosto de 2026, o ensaiador Joca Antunes e a bailarina Dandara Caetano conduzirão workshops em Birmingham e Newcastle a partir de trechos da coreografia Autorretrato, da coreógrafa brasileira Leilane Teles, em adaptação especialmente concebida para os participantes locais. A proposta prevê não apenas oficinas pontuais, mas um acompanhamento contínuo dos estudantes. Após os encontros presenciais, a SPCD realizará atividades online ao longo de outubro e novembro de 2026, aprofundando o intercâmbio artístico iniciado nos workshops.
Em janeiro de 2027, Inês Bogéa e Joca Antunes retornarão ao Reino Unido para ensaios presenciais com os jovens participantes, que integrarão apresentações especiais antes dos espetáculos da Companhia em Birmingham e Newcastle. As apresentações acontecerão em 6 de fevereiro de 2027, em Birmingham, e 2 de março de 2027, em Newcastle, como parte da programação da turnê internacional da São Paulo Companhia de Dança.
A turnê europeia da São Paulo Companhia de Dança passará por 13 cidades, com 26 apresentações, incluindo Dublin, Birmingham, Inverness, Edimburgo, Aberdeen, Salford, Londres, Newcastle, Norwich, Bradford, Canterbury, Southampton e Plymouth. O repertório reunirá obras de coreógrafos brasileiros e internacionais, consolidando uma das maiores circulações internacionais já realizadas pela Companhia no Reino Unido e na Irlanda.
A parceria também envolve uma dimensão operacional e financeira associada à circulação internacional. Toda a turnê da SPCD no Reino Unido e Irlanda é financiada pelos programadores internacionais parceiros, que assumem custos de viagens internacionais, hospedagem, transporte, alimentação e cachês pelas apresentações, além da remuneração das atividades pedagógicas e workshops realizados pela Companhia. O projeto envolve circulação internacional, atividades pedagógicas e articulação com parceiros culturais no exterior.
A iniciativa consolida uma rede permanente de intercâmbio entre Brasil e Reino Unido. Ao compartilhar o repertório da dança brasileira contemporânea com estudantes, artistas e instituições culturais britânicas, a São Paulo Companhia de Dança amplia oportunidades de formação e reafirma a arte como instrumento de diálogo, colaboração e transformação cultural.
Brasileiros se destacam no Portugal Dance Competition
Entre os dias 6 e 8 de junho, a cidade de Pombal, em Portugal, foi palco de um dos mais prestigiados festivais de dança da Europa: o Portugal Dance Competition. Reunindo cerca de 450 bailarinos vindos de diversos países europeus e até do Canadá, o evento premiou talentos em categorias que iam desde bolsas de estudos em renomadas escolas internacionais até prêmios em dinheiro e audições exclusivas para companhias profissionais.
O grande destaque latino-americano ficou com o Estúdio Erias, da cidade de Pinhais, no Paraná, Brasil. Com um grupo de jovens bailarinos cheios de energia e determinação, o estúdio chamou a atenção do exigente júri internacional, composto por profissionais consagrados da dança mundial, oriundos dos Estados Unidos, Itália, França, Alemanha e Inglaterra.
Mesmo diante de uma concorrência acirrada e altamente qualificada, os representantes do Estúdio Erias não se intimidaram. Com apresentações tecnicamente precisas e artisticamente expressivas, os brasileiros conquistaram importantes premiações, mostrando ao público europeu a força e a excelência do ensino de dança praticado no Brasil.
As performances aconteceram no Teatro Cine de Pombal, mas o evento também levou a dança para além dos palcos tradicionais. Um palco externo foi montado na Praça Marquês de Pombal, onde os bailarinos tiveram a oportunidade de se apresentar ao ar livre, ampliando ainda mais o alcance cultural do festival.
O Portugal Dance Competition não apenas celebrou a dança como expressão artística, mas também funcionou como uma verdadeira vitrine de oportunidades para jovens talentos do mundo inteiro. Para o Estúdio Erias, o evento foi a confirmação de que o trabalho sério, a dedicação e a paixão pela arte podem romper fronteiras e brilhar em qualquer parte do mundo.
Mais informações sobre o festival estão disponíveis em: www.portugaldancecompetition.com
A dança perde mais uma Estrela - Yuri Grigorovich
Yuri Grigorovich, um dos mais influentes coreógrafos do balé clássico russo, faleceu nesta segunda-feira, 19 de maio de 2025, aos 98 anos. Nascido em 1927, em Leningrado (atual São Petersburgo), Grigorovich dedicou sua vida à dança, sendo uma figura central no Teatro Bolshoi de Moscou, onde atuou como coreógrafo principal de 1964 a 1994.
Palavra Encantada
Legado e Carreira
Grigorovich revolucionou o balé soviético com produções marcantes como Spartacus, Ivan, o Terrível, O Quebra-Nozes, Romeu e Julieta e O Lago dos Cisnes. Suas coreografias, caracterizadas por vigor dramático e grandeza visual, redefiniram o estilo do Bolshoi e influenciaram gerações de bailarinos e coreógrafos. Após sua saída do Bolshoi, fundou sua própria companhia em Krasnodar e, em 2008, retornou ao teatro como coreógrafo residente.
Relação com o Brasil
Yuri Grigorovich teve uma conexão significativa com o Brasil, especialmente por meio da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, localizada em Joinville (SC). Em 2001, ele participou da inauguração da escola, sendo homenageado por sua contribuição à dança. Além disso, Grigorovich esteve presente em outras ocasiões, como em 2010, quando acompanhou apresentações da escola no país. Sua influência também é reconhecida por artistas brasileiros, como o bailarino Thiago Soares, que recebeu dele a medalha de ouro no Concurso Internacional de Dança do Bolshoi.
Homenagens
A morte de Grigorovich foi amplamente lamentada no mundo da dança. O Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, declarou que "com o falecimento deste lendário coreógrafo, uma era inteira se foi". A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil também prestou homenagem, destacando seu legado e impacto na formação de bailarinos.
SIC Notícias
Yuri Grigorovich deixa um legado imensurável para o balé mundial, sendo lembrado por sua genialidade, ousadia e visão transformadora da dança.
“O Grand Jeté Asiático
Como Japão, China e Coreia do Sul Estão Redefinindo o Balé Clássico e Conquistando o Prix de Lausanne”
Prepare-se para testemunhar uma revolução na cena do balé clássico mundial! No palco do Prix de Lausanne 2025, uma nova força irrompe com elegância e técnica avassaladora: os bailarinos asiáticos. Com 70% dos finalistas oriundos do Japão, China e Coreia do Sul, o domínio asiático não é apenas uma coincidência, mas um manifesto artístico que desafia as antigas hegemonias do Ocidente.
A pergunta é inevitável: como esses jovens artistas, vindos de culturas tão distantes do berço europeu do balé, estão reescrevendo a história dessa arte atemporal?
Seria a disciplina implacável, o investimento sem precedentes ou uma fome insaciável por excelência?
Enquanto o mundo aplaude, a mensagem é clara: o futuro do balé clássico não apenas passa pela Ásia — ele é dançado, saltado e girado por ela.
A recente lista de finalistas do Prix de Lausanne 2025 destaca uma presença marcante de jovens bailarinos asiáticos, especialmente do Japão, China e Coreia do Sul. Dos 20 finalistas, 14 são oriundos desses países, com o Japão liderando com seis representantes, seguido pela China e Coreia do Sul, cada uma com quatro. Essa tendência não é um fenômeno isolado, mas reflete um movimento crescente de bailarinos asiáticos se destacando no cenário do balé clássico mundial.
Fatores que Contribuem para a Ascensão Asiática no Balé Clássico
Investimento em Educação e Treinamento: Países asiáticos têm investido significativamente na educação de balé, estabelecendo academias de dança de alto padrão que combinam técnicas tradicionais com metodologias ocidentais. Escolas renomadas, como a Beijing Dance Academy na China e a Sunhwa Arts High School na Coreia do Sul, têm produzido talentos que competem em nível internacional.
Disciplina Cultural e Ética de Trabalho: A cultura asiática valoriza a disciplina, perseverança e dedicação, características essenciais no treinamento rigoroso do balé clássico. Essa ética de trabalho contribui para a formação de bailarinos tecnicamente proficientes e artisticamente expressivos.
Apoio Governamental e Privado: Governos e entidades privadas em países asiáticos têm reconhecido o valor cultural do balé, oferecendo subsídios, bolsas de estudo e oportunidades de performance para jovens talentos. Esse suporte facilita o acesso a recursos necessários para o desenvolvimento artístico.
Intercâmbio Cultural e Globalização: A globalização tem permitido maior intercâmbio cultural, com estudantes asiáticos participando de programas de treinamento e competições internacionais. Isso não apenas amplia sua exposição, mas também enriquece sua formação com diversas influências estilísticas.
Desafios e Perspectivas Futuras
Embora a ascensão de bailarinos asiáticos seja evidente, eles ainda enfrentam desafios, como estereótipos culturais e barreiras linguísticas. No entanto, sua presença crescente em competições como o Prix de Lausanne indica uma mudança positiva em direção a uma cena de balé mais diversificada e inclusiva.
Em suma, a dominância asiática no Prix de Lausanne 2025 reflete anos de investimento, dedicação e talento. À medida que o balé clássico continua a evoluir, é essencial reconhecer e celebrar as contribuições de todas as culturas para essa forma de arte universal.
Essa é uma questão que vai direto ao coração da transformação que o balé clássico enfrenta hoje. Se por um lado a excelência técnica e a disciplina dos bailarinos asiáticos têm conquistado palcos e competições de prestígio, por outro lado, paira a dúvida: os diretores das grandes companhias do Ocidente realmente abraçam essa diversidade, ou ainda buscam uma "estética ocidental" tradicional?
O balé clássico, nascido na Europa, sempre carregou traços culturais que moldaram não só a técnica, mas também a estética desejada — do porte físico à expressão artística. Para alguns críticos, há um receio de que a padronização global possa "diluí-lo", afastando-se de suas raízes. No entanto, o talento dos bailarinos asiáticos desafia essa ideia: eles não apenas dominam a técnica, mas também trazem um frescor cultural que enriquece a arte.
Abertura vs. Resistência
Companhias Mais Receptivas: Companhias como o Royal Ballet, o American Ballet Theatre e o Paris Opera Ballet têm recrutado talentos asiáticos consistentemente, muitas vezes reconhecendo que a diversidade não só reflete o mundo moderno, mas também é um ativo artístico.
Barreiras Subtis: Ainda assim, há relatos de que algumas audições priorizam bailarinos que "se encaixam" em uma imagem idealizada, dificultando a ascensão de artistas que fogem a esse padrão.
Narrativas e Expressividade: Outra crítica é a percepção de que bailarinos asiáticos, embora tecnicamente brilhantes, às vezes encontram desafios em transmitir "narrativas universais" no palco, devido a diferenças culturais. Isso, contudo, é um estereótipo que muitos artistas asiáticos vêm quebrando com interpretações emocionantes e memoráveis.
O Que Está em Jogo
A verdadeira questão é: o balé clássico está pronto para ser uma arte verdadeiramente global? A dominância de bailarinos asiáticos em competições como o Prix de Lausanne é uma chamada à reflexão para diretores e audiências. Buscar o "traço ocidental" em tempos de globalização é não apenas anacrônico, mas também um desperdício do talento que já redefiniu os parâmetros da excelência no balé.
Afinal, o palco deveria ser um lugar para o mérito e a arte transcenderem fronteiras — não um espaço para perpetuar estéticas exclusivistas. O Prix de Lausanne 2025 pode ser um ponto de virada, mas a mudança real acontecerá quando todos os holofotes das grandes companhias também refletirem essa nova era.
O Prix de Lausanne, com sua reputação de mais de 50 anos, é amplamente considerado um dos eventos competitivos mais prestigiados do balé clássico mundial. Contudo, é válido questionar: ele realmente define os parâmetros do que é excelência no balé, ou é apenas um palco para jovens promessas que nem sempre encontram espaço nas grandes companhias?
O Prix de Lausanne como Parâmetro
Reconhecimento Global: O concurso é conhecido por revelar talentos que se tornam estrelas, como Carlos Acosta, Darcey Bussell e Diana Vishneva. Isso fortalece sua imagem como uma vitrine de futuros protagonistas da dança.
Ligação com Grandes Escolas e Companhias: Finalistas e laureados frequentemente recebem bolsas para escolas renomadas como Royal Ballet School, Bolshoi Academy ou Paris Opera Ballet School, ou contratos com companhias como Stuttgart Ballet ou The Royal Ballet. Esse vínculo reforça a influência do concurso como uma "porta de entrada" para carreiras de destaque.
Padrão Técnico e Artístico: O Prix exige um equilíbrio entre virtuosismo técnico e interpretação artística, o que o torna um termômetro daquilo que o mundo do balé valoriza em jovens bailarinos.
Limitações do Prix de Lausanne
Recorte de Idade: O foco em bailarinos de 15 a 18 anos limita o concurso a talentos em estágio inicial, o que significa que ele pode não captar a evolução completa de um artista.
A Preferência por um Perfil Técnico: Alguns críticos argumentam que o Prix favorece um estilo técnico altamente polido, deixando pouco espaço para a individualidade ou para traços mais marcantes que muitas vezes surgem com a maturidade artística.
Fora do Radar de Algumas Companhias: Apesar de sua influência, algumas companhias de balé ou contemporâneas não o consideram determinante, optando por selecionar bailarinos com características mais específicas às suas identidades artísticas.
O Prix é um Espelho ou uma Bússola?
O Prix de Lausanne pode ser visto como um espelho do que o balé clássico valoriza no momento — técnica impecável, potencial artístico e uma imagem jovem e moldável. No entanto, ele não é necessariamente uma bússola que dita os rumos da dança como um todo. Muitos bailarinos fora de seu radar alcançam destaque internacional por outros caminhos, seja em competições diferentes ou simplesmente por se destacarem em companhias.
Portanto, o Prix de Lausanne é uma peça importante no quebra-cabeça do mundo do balé, mas não o único parâmetro. Ele reflete tendências e abre portas, mas o verdadeiro impacto vem da capacidade dos finalistas e laureados de transcenderem o palco competitivo e se afirmarem como artistas em um cenário global cada vez mais diversificado.
Embora o Prix de Lausanne seja uma referência consolidada no mundo do balé clássico, ele não é o único palco que define os rumos dessa arte. Competições como o World Ballet Competition, nos Estados Unidos e Tanzolymp na Alemanha, oferecem uma abordagem igualmente rigorosa, mas com foco em um leque mais amplo de idades e categorias, destacando talentos emergentes e artistas já maduros.
Além disso, eventos como o recém-lançado Portugal Dance Competition surgem como promissores novos espaços para bailarinos mostrarem suas habilidades. Este concurso, em particular, busca valorizar tanto a técnica quanto a expressão artística em uma atmosfera de inovação e acolhimento cultural, refletindo o crescente interesse pela dança em todo o mundo.
Esses eventos provam que o balé é uma arte com inúmeras faces e oportunidades. A verdadeira essência da dança transcende qualquer competição, sendo o talento, a paixão e a dedicação os verdadeiros parâmetros que moldam o futuro do balé clássico.
O palco do balé clássico está mais global do que nunca. O domínio asiático no Prix de Lausanne é apenas o começo de uma nova era. Porém, a verdadeira revolução acontecerá quando todas as grandes companhias reconhecerem o valor da diversidade e abraçarem essa riqueza artística.
Afinal, o balé é mais do que técnica ou estética: é uma expressão universal da humanidade. E, nesse sentido, não há fronteiras que possam contê-lo.
Ballet de Cegos será atração durante as Paralimpíadas
Na Casa Brasil Paralímpico, em Saint-Ouen-sur-Seine, um dos destaques será a Companhia Ballet de Cegos da Associação Fernanda Bianchini. Pioneira e única no mundo, a companhia transporta ao público uma série de apresentações que exemplificam a inclusão por meio da arte. Com apresentações programadas para os dias 30 e 31 de agosto, e 1, 2, 4, 5 e 7 de setembro, a companhia apresentará coreografias como “O Velho e a Flor”, “Samba” e “Tributo às Olimpíadas”. “Paris será mais um sonho realizado por esta companhia que aprendeu desde muito cedo a nunca desistir”, disse Fernanda Bianchini, fundadora da Associação. Segundo ela, as apresentações, que vão do balé clássico ao samba, são qualificadas com dedicação e amor, destacando o protagonismo dos bailarinos cegos.
Fundada em 1995, a Associação Fernanda Bianchini é reconhecida por sua contribuição significativa à inclusão social por meio da dança. A organização desafia preconceitos e promove a valorização das capacidades artísticas de pessoas com deficiência visual. “Hoje, nos nossos espetáculos, o que eu mais escute é: ‘Elas não enxergam? Onde está a deficiência?’. Quando a deficiência não é vista no palco e sim a bela arte, é a certeza de que alcançamos nossos objetivos. A A presença da companhia nas Paralimpíadas reflete essa trajetória de luta e conquista”, comentou Fernanda.
A Casa Brasil Paralímpico funcionará das 15h às 22h, oferecendo uma programação diversificada que inclui atrações, diversas apresentações e performances da Companhia Ballet de Cegos. “A participação da companhia nas Paralimpíadas é um marco para nós. Mostrar que a deficiência visual não é um impedimento para a arte e para a realização de sonhos é um dos nossos principais objetivos”, afirmou Bianchini, destacando que cada apresentação é uma mensagem de superação e inclusão.
Breaking dá Adeus aos Jogos Olímpicos após Apenas uma Edição:
O que levou à decisão e como isso impacta o esporte no Brasil?
O Breaking, que fez sua estreia olímpica nos Jogos de Paris 2024, já está se despedindo do maior palco esportivo do mundo. O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou recentemente que a modalidade não será incluída nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, uma decisão que surpreendeu tanto os atletas quanto os fãs do esporte.
A Ascensão e Queda do Breaking Olímpico
A inclusão do Breaking nas Olimpíadas de Paris foi um marco histórico. O esporte, que surgiu nas ruas do Bronx, em Nova York, nos anos 1970, evoluiu de um movimento cultural para uma competição de alto nível. Durante os Jogos de 2024, o Breaking não só trouxe um novo público para as Olimpíadas, mas também destacou atletas como a americana Rachel Gunn, conhecida como Raygun, cuja performance eletrizante conquistou corações e mentes.
No entanto, mesmo com a aclamação e popularidade entre os jovens, o COI decidiu não manter o Breaking no programa olímpico de 2028. Segundo fontes próximas ao comitê, a decisão foi influenciada por uma série de fatores, incluindo a pressão para incluir outros esportes emergentes e a necessidade de equilibrar o número de modalidades. Apesar das origens do Breaking nos Estados Unidos, a modalidade não garantiu o espaço necessário no competitivo cenário olímpico.
A Repercussão e o Futuro do Breaking
A exclusão do Breaking causou descontentamento na comunidade global de dançarinos e fãs do esporte. No Brasil, onde o Breaking tem ganhado cada vez mais popularidade, a notícia foi recebida com decepção. Os atletas brasileiros, que estavam se preparando para competir em Los Angeles, agora enfrentam um futuro incerto.
A Importância da Deliberação Brasileira
Em meio ao cenário internacional, uma revelação impactante veio à tona no Brasil. Recentemente, um grupo de atletas e dirigentes brasileiros afirmou, em uma delação coletiva, que a exclusão do Breaking foi influenciada por pressões comerciais e políticas dentro do COI. Segundo essas fontes, havia uma forte pressão para que esportes mais tradicionais e com maior apelo midiático fossem priorizados, mesmo que isso significasse sacrificar modalidades emergentes como o Breaking.
Essa delação trouxe à tona discussões sobre a transparência e os critérios utilizados pelo COI para determinar as modalidades olímpicas. Muitos críticos agora questionam se o processo de seleção de esportes está sendo guiado por interesses financeiros em vez de considerações esportivas.
O Legado e a Luta pelo Reconhecimento
Apesar do revés, a comunidade do Breaking está determinada a continuar promovendo o esporte e lutar por seu lugar nos futuros Jogos. Em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, já há movimentos para pressionar o COI a reconsiderar a decisão ou, ao menos, garantir que o Breaking possa retornar nas Olimpíadas de 2032.
A exclusão do Breaking dos Jogos de 2028 é um lembrete de que, no mundo das Olimpíadas, nem sempre o sucesso e a popularidade imediata são suficientes para garantir a continuidade de uma modalidade. O futuro do Breaking como esporte de elite ainda está em jogo, mas a paixão e a dedicação de seus praticantes certamente continuarão a impulsionar o movimento.
Conclusão
A decisão do COI de excluir o Breaking das Olimpíadas de Los Angeles em 2028 foi recebida com surpresa e frustração, especialmente no Brasil, onde o esporte tem crescido em popularidade. As alegações de pressões políticas e comerciais que influenciaram essa decisão lançam uma sombra sobre o processo de seleção olímpica, e o futuro do Breaking agora pode depender do apoio contínuo de sua comunidade global.