Companhia Ballet Dalal Achcar celebra cinco anos
com temporada que une tradição e contemporaneidade no Rio

 

Em um cenário cultural que frequentemente oscila entre tradição e reinvenção, a Companhia Ballet Dalal Achcar chega ao seu quinto aniversário reafirmando sua relevância no panorama da dança brasileira. Para marcar a data, o grupo apresenta uma temporada especial no Teatro Riachuelo Rio, entre os dias 10 e 12 de abril, reunindo um repertório que dialoga com diferentes linguagens artísticas.

 

A celebração não se limita ao caráter comemorativo. Em cena, estão nove coreografias que transitam entre o rigor técnico do balé clássico e a liberdade expressiva da dança contemporânea — uma combinação que reflete a própria trajetória da companhia.

Com um elenco de 19 bailarinos profissionais, o espetáculo propõe uma experiência plural: a cada noite, programas distintos conduzem o público por diferentes atmosferas e narrativas coreográficas, reforçando a ideia de um repertório vivo e em constante transformação.

 

Sob a assinatura de nomes como Dalal Achcar, Eric Frédéric, Vassili Sulich e Ivonice Satie, a montagem evidencia um ponto central: a construção de uma identidade artística brasileira que não renega suas raízes clássicas, mas as ressignifica.

 

Figura histórica da dança no país, Dalal Achcar é reconhecida por sua atuação como bailarina, coreógrafa e diretora, além de ter sido peça-chave na difusão do balé no Brasil ao longo de décadas. Sua companhia, ainda jovem em tempo de existência, carrega esse legado com um olhar voltado para o futuro.

 

A temporada também simboliza um movimento maior: o de valorização da formação técnica aliada à expressão artística. “É com emoção e orgulho que comemoramos cinco anos”, declarou Achcar, destacando o esforço coletivo na preparação dos bailarinos e na consolidação do projeto.

 

Com produção da Aventura e patrocínio via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o espetáculo reafirma a importância do investimento contínuo nas artes cênicas — especialmente em um momento em que a cultura busca ampliar seu alcance e impacto.

Mais do que uma comemoração, a temporada se apresenta como um manifesto silencioso: a dança brasileira segue pulsante, técnica e, sobretudo, contemporânea.

Thiago Soares estreia companhia em São Paulo

com obras inéditas e proposta de renovação da dança contemporânea

 

São Paulo recebe, entre os dias 24 e 26 de abril, um dos nomes mais relevantes da dança brasileira no cenário internacional. O bailarino Thiago Soares, ex-primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, inaugura um novo capítulo de sua trajetória ao apresentar, pela primeira vez na capital paulista, sua companhia autoral com dois espetáculos inéditos: Gala Brusco e Carmem, no Teatro J. Safra.

 

A estreia marca não apenas a chegada de um novo repertório à cidade, mas a consolidação de um projeto artístico que propõe expandir as fronteiras da dança contemporânea brasileira. Com sede no Rio de Janeiro, a Companhia Thiago Soares nasce com um direcionamento claro: investir em criações autorais, trilhas inéditas e colaborações internacionais, construindo um vocabulário coreográfico que transita entre o neoclássico, as danças urbanas e as manifestações populares.

 

O resultado é uma estética híbrida, intensa e contemporânea, que dialoga com diferentes linguagens sem abrir mão da sofisticação técnica — marca registrada da carreira de Soares.

 

Um repertório que atravessa fronteiras

As coreografias apresentadas já percorreram palcos no México, Estados Unidos e Inglaterra, e chegam ao Brasil revisitadas, com novas leituras e adaptações. No palco, dez jovens bailarinos dão corpo a um repertório que combina precisão técnica com potência expressiva, reforçando o compromisso da companhia com a formação de novos talentos.

Mais do que um espetáculo, o projeto se posiciona como uma plataforma de desenvolvimento artístico. “É um espaço para artistas que muitas vezes não encontram oportunidades”, afirma Thiago Soares, destacando o caráter formativo da companhia.

 

Gala Brusco: intensidade e identidade

Criada no México, Brusco é a peça central do programa Gala Brusco. Com trilha original do pianista Caleb Ruiz, a obra estabelece o tom da noite: elegante, visceral e profundamente conectada à identidade estética da companhia.

O repertório musical inclui ainda composições de Chopin, Tom Mitty e Ragnar Linnöf, que sustentam uma atmosfera poética e vigorosa, em diálogo direto com a linguagem coreográfica proposta.

 

Carmem: uma releitura latino-americana

Já Carmem propõe uma releitura contemporânea da célebre ópera de Georges Bizet. Sob direção e coreografia de Thiago Soares, a narrativa abandona a tradicional ambientação espanhola e se desloca para a América Latina, incorporando novos elementos culturais e emocionais.

A montagem revisita o enredo sob a ótica da força e autonomia feminina, trazendo à cena uma protagonista que reafirma sua identidade em um espaço marcado por tensões sociais e afetivas. A teatralidade se funde à dança, criando um território cênico onde tradição e contemporaneidade coexistem.

 

 

Companhia Thiago Soares
📍 Teatro J. Safra — São Paulo

GALA BRUSCO
24 e 25 de abril
Sexta às 21h | Sábado às 20h

CARMEM
26 de abril
Domingo às 16h e 19h

⏱ Duração: 80 minutos
🎟 Ingressos: de R$ 25 a R$ 160
🔗 Vendas: Eventim

 

A apresentação reforça o movimento de valorização da dança brasileira em diálogo com o cenário internacional, posicionando a nova companhia como uma das iniciativas mais relevantes do momento.

Ecco Cia de Dança reafirma força do Jazz Dance no Brasil e estreia novo espetáculo em São Paulo

 

A Ecco Cia de Dança vem consolidando seu nome como um dos principais núcleos de criação, pesquisa e desenvolvimento do Jazz Dance no Brasil. Com uma trajetória marcada pela investigação do corpo como instrumento expressivo e sensível, a companhia construiu uma identidade artística reconhecida pela intensidade emocional e pela busca constante por inovação.

 

Desde sua fundação, o grupo se destacou por propor obras que ultrapassam a estética coreográfica, trazendo à cena reflexões sobre o comportamento humano, os afetos e as tensões da contemporaneidade. Nesse contexto, o Jazz Dance é ressignificado, deixando de ser apenas um estilo para se tornar base estruturante de novas possibilidades de expressão cênica.

 

A atuação da Ecco também evidencia um importante papel no fortalecimento da linguagem no país. Em um cenário onde o investimento em cultura ainda enfrenta limitações, a companhia se mantém como espaço de resistência, formação e experimentação artística, reunindo profissionais comprometidos com a pesquisa e a comunicação através do movimento.

 

Outro diferencial está no incentivo à profissionalização dos artistas. A companhia promove um ambiente contínuo de troca e desenvolvimento técnico e expressivo, contribuindo diretamente para a evolução qualitativa do Jazz Dance no Brasil.

 

Estreia de “Íris” propõe reflexão sobre emoção e resistência

 

A companhia realiza no dia 06 de maio, às 20h, a pré-estreia do espetáculo “Íris”, no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo, em apresentação única.

Com direção artística e coreografia de Rafael Trevisan, assistência de Thaynara Gomes, design de luz de Marcel Rodrigues e figurino assinado por Hary Lima, a obra propõe uma reflexão sensível sobre a persistência criativa em tempos de esgotamento emocional e indiferença coletiva.

 

Segundo Trevisan, a criação investiga o corpo como espaço de potência, afeto e transformação, utilizando o Jazz Dance como linguagem central. A coreografia transita entre estados de apatia e pulsões de vida, reafirmando a arte como gesto de resistência e conexão.

 

“Quem emociona a gente, salva.”

 

A frase, presente no conceito do espetáculo, sintetiza a proposta da obra: emocionar como ato de sobrevivência e de reconstrução sensível em um mundo cada vez mais anestesiado.

 

Quando e Onde:

Espetáculo: Íris
Data: 06 de maio
Horário: 20h
Local: Teatro Sabesp Frei Caneca – São Paulo

Ingressos disponíveis na bilheteria do teatro e pela plataforma oficial uhuu.com.
O evento conta com patrocínio da Evidence Ballet.

“Impulsos”: espetáculo abre celebrações dos 55 anos
de uma das companhias mais importantes da dança brasileira

 

 

A dança brasileira vive um momento especial. Em Belo Horizonte, a Cia. de Dança Palácio das Artes inicia as comemorações de seus 55 anos de história com o espetáculo “Impulsos”, uma criação que mistura energia, experimentação e novas narrativas coreográficas.

 

A companhia — um dos corpos artísticos mantidos pela Fundação Clóvis Salgado — apresenta o espetáculo no Palácio das Artes, um dos maiores complexos culturais da América do Sul e referência na formação e difusão artística no Brasil.

A montagem reúne duas coreografias inéditas, criadas pelos coreógrafos Alex Soares e Alan Keller, explorando temas aparentemente improváveis — o ritual do café e o universo narrativo dos jogos de RPG — transformados em movimento, dramaturgia e experiência sensorial.

 

Uma das peças, intitulada “60 Grãos”, parte de uma curiosidade histórica: o compositor Ludwig van Beethoven costumava preparar café contando exatamente 60 grãos por xícara. A coreografia traduz essa obsessão em ritmo acelerado, tensão corporal e movimentos intensos que refletem o impacto da cafeína no corpo.

 

Já a segunda obra, “PLOT”, mergulha na lógica dos jogos de RPG, onde narrativas são construídas coletivamente e cada decisão altera o rumo da história. No palco, isso se transforma em improvisação estruturada, interação entre bailarinos e uma dramaturgia em constante mutação.

 

Mais do que um espetáculo, “Impulsos” marca o início de uma programação especial que celebrará a trajetória da companhia ao longo de 2026, incluindo novos espetáculos, projetos históricos e até o lançamento de um livro dedicado à história da companhia.

 

Fundada em 1971, a Cia. de Dança Palácio das Artes construiu ao longo das décadas um repertório que atravessa diferentes fases da dança brasileira, passando do balé clássico para uma identidade contemporânea que dialoga com múltiplas linguagens artísticas.

 

Celebrar 55 anos não é apenas olhar para o passado — é reafirmar que a dança continua sendo um território de criação, risco e movimento.

 

E se “Impulsos” abre essa jornada, a pergunta que fica é:
quais novos caminhos a dança brasileira ainda pode descobrir?

Corpo de Dança do Amazonas apresenta “TA | Sobre Ser Grande” na MITsp 2026

 

O Corpo de Dança do Amazonas (CDA) integra a programação da 11ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) com o espetáculo “TA | Sobre Ser Grande”, apresentado nos dias 10 e 11 de março, às 20h30, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

 

Criada pelo coreógrafo e diretor artístico Mario Nascimento, a obra é uma livre criação inspirada no território amazônico, trazendo à cena elementos da cultura, ancestralidade e cosmologia do povo indígena Tikuna.

 

Considerada um dos principais festivais de artes cênicas do país, a MITsp acontece de 6 a 15 de março e reúne artistas brasileiros e internacionais em uma programação que inclui espetáculos, debates, oficinas e encontros dedicados à reflexão sobre a contemporaneidade nas artes da cena.

Com “TA | Sobre Ser Grande”, o Corpo de Dança do Amazonas reforça a presença da dança brasileira no festival, propondo uma experiência cênica que conecta corpo, território e memória ancestral.

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Studio3 Cia de Dança apresenta espetáculo “PARIS” no MASP

 

A Studio3 Cia de Dança apresenta o espetáculo “PARIS” nos dias 26 e 27 de março de 2026, às 20h, no Auditório do MASP, em São Paulo. Com entrada gratuita, os ingressos serão distribuídos na bilheteria duas horas antes do início da apresentação.

 

Com concepção e direção cênica de Jorge Takla e direção coreográfica de Anselmo Zolla, o espetáculo propõe uma viagem pela memória de Gabrielle Chanel, evocando a efervescência artística da Paris do início do século XX. Em cena, dança, teatro, vídeo-projeções e canto ao vivo recriam o universo de grandes nomes da arte como Isadora Duncan, Anna Pavlova, Pablo Picasso, Igor Stravinsky e Josephine Baker.

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Focus Cia de Dança celebra 25 anos com o espetáculo “Bodas” no Theatro Municipal do Rio

 

A Focus Cia de Dança, uma das companhias contemporâneas mais importantes do Brasil, celebra seus 25 anos de trajetória com a estreia do espetáculo “Bodas”, será apresentado dia 06 de março no histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A nova criação marca um momento simbólico na história da companhia fundada pelo coreógrafo Alex Neoral e pela gestora cultural Tati Garcias, que desde o início dos anos 2000 consolidaram um dos projetos mais consistentes da dança brasileira.

 

Criado especialmente para comemorar o jubileu da companhia, “Bodas” é uma espécie de viagem coreográfica pela memória da Focus. A montagem reúne fragmentos e inspirações de 16 espetáculos do repertório do grupo, construindo uma nova narrativa que dialoga com o passado, o presente e o futuro da companhia.

 

A trilha sonora e a dramaturgia musical ampliam essa diversidade estética. O espetáculo mistura compositores e universos sonoros distintos — de Chico Buarque e Ney Matogrosso a Philip Glass, Bach, Nirvana e Astor Piazzolla — criando uma colagem artística que traduz a identidade plural da Focus ao longo de sua trajetória.

 

Com duração de aproximadamente 75 minutos, “Bodas” funciona como uma metalinguagem da própria dança: movimentos, referências e novas cenas se cruzam em uma coreografia que reafirma o compromisso da companhia com a inovação e a experimentação artística.

 

Ao longo de seus 25 anos, a Focus Cia de Dança tornou-se referência nacional e internacional, realizando em média cerca de 80 apresentações por ano e participando de turnês e festivais em diversos países. A companhia também recebeu importantes reconhecimentos culturais e foi declarada Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

 

Mais do que uma retrospectiva, “Bodas” reafirma os votos da Focus com a dança contemporânea brasileira, celebrando uma trajetória construída com rigor artístico, circulação internacional e uma linguagem coreográfica própria que continua em constante transformação.

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“Le Parc” renasce na Ópera de Paris com uma nova geração de bailarinos

 

O balé Le Parc, obra emblemática de Angelin Preljocaj, voltou ao palco da Ópera de Paris reafirmando sua força poética e seu lugar de destaque no repertório contemporâneo. Criado em 1994 para o Ballet de l’Opéra de Paris, o espetáculo retorna com um elenco renovado, revelando como uma nova geração de intérpretes pode ressignificar uma coreografia já consagrada sem perder sua essência dramática e musical.

 

Inspirado no universo galante do século XVIII, Le Parc constrói uma narrativa sobre o jogo da sedução, o desejo e a descoberta amorosa. A trilha de Mozart — eixo sensível da montagem — conduz a dramaturgia corporal com delicadeza e tensão, enquanto a coreografia combina rigor técnico e gestualidade teatral. O contraste entre formalidade social e impulso íntimo permanece como um dos motores centrais da obra.

 

Nesta remontagem, jovens solistas e integrantes do corpo de baile assumem papéis de grande densidade interpretativa. O resultado é um frescor perceptível na dinâmica de cena: movimentos ganham maior elasticidade, transições se tornam mais orgânicas e o famoso pas de deux final — marcado pelo icônico beijo suspenso — surge com intensidade emocional renovada, arrancando reações entusiasmadas da plateia.

 

A nova escalação evidencia também uma mudança de abordagem estética. Sem romper com a tradição da casa, os intérpretes trazem maior fluidez de torso e uma musicalidade mais respirada, aproximando o vocabulário coreográfico de uma sensibilidade contemporânea. A leitura privilegia nuances e silêncios corporais, valorizando microgestos que ampliam a dimensão psicológica dos personagens.

 

O cenário minimalista e os figurinos de linhas clássicas mantêm o ambiente de corte idealizado, funcionando como moldura para o diálogo entre controle e entrega — tema que continua atual e universal. A iluminação, por sua vez, reforça o clima de intimidade progressiva, conduzindo o olhar do público para as relações que se transformam ao longo da peça.

 

O retorno de Le Parc confirma a vitalidade do repertório recente dentro de grandes companhias e demonstra como a transmissão coreográfica é um processo vivo. Ao passar de geração em geração, a obra não apenas se preserva — ela evolui. Na Ópera de Paris, o reencontro entre tradição e juventude mostra que certos balés não apenas sobrevivem ao tempo: eles renascem.