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Kosmos

National Ballet Manheim

Balé do Nationaltheater

‘Kosmos’

Cor. e cenário Andonis Foniadakis

Música-vídeo Julian Torride

Costumes Anastasious Sofronious

 

Por Celi Barbier

 

“Kosmos” (Cosmos)

 

O coreógrafo A. Foniadakis ostenta um palmarès extraordinário. Nascido na Grécia, na belíssima ilha de Creta, ali surpreendentemente começou seus estudos de dança clássica. Diplomado pela Escola de Dança do Estado de Atenas, ganha a Bolsa de Estudos Maria Callas e, logo depois, parte para aperfeiçoamento em Rudra Béjart Lausanne, na Suíça. Dois anos. Estamos agora em 1994, quando entra para o Béjart Ballet Lausanne, seguindo-se o Lyon Opera Ballet e a consagração como bailarino, dançando obras de S. Teshigawara e também de prestigiosos coreógrafos, como M. Marin, J. Kylian, W. Forsythe, N. Duato, M. Ek, M. Béjart, O. Naharin, entre outros. A lista é grande, e maior ainda a de suas obras encenadas, doravante. Citaremos só algumas: Companhia Nacional de Dança de Espanha, Martha Graham Dance Company, Genève Ballet, Lyon Opera Ballet, Rambert Dance Company e, no Brasil, o Balé da Cidade de São Paulo e o Washington Ballet. E por aí vai. De Stuttgart a Sydney, com pleno sucesso. Sem falar nos prêmios. Por ‘Las Noces’ (I. Stravinski), para a Ópera de Firenzi, foi honrado com o MaggioDanza 2018. Por ‘Galaxy’, o prêmio da crítica especializada e a Associação de música e dança da Grécia. Em 2016, foi nomeado diretor de balé do Nacional Ballet da Grécia, mas já desde 2003 tinha sua própria companhia em Lyon, Apotosoma - Andonis Foniadakis, onde continua a apresentar suas obras.

 

“Cosmos”

 

Um bailarino entra em cena, sapateado e ritmo nas mãos, costume negro. Ao longe, imagens de erosão, destruição;  ainda a gesticulação de mãos. Surge uma moça, longos cabelos louros, em contraste com os dele, negros e encaracolados. Particularmente belo. Música em tons orientais, obsedante. Ele continua com o ritmo nas mãos. Começam do começo. Tocam a pele um do outro. Voz de mulher, como uma estranha prece. A música forte hipnotiza. Duo masculino e feminino iguais. Dança lembrando a dos dervixes. Embriagante. Magia dos cabelos soltos, sob a luz dourada, azul e negra, iluminando-se e apagando-se. A composição aqui parece dar mais e mais dramaturgia à coreografia. Sucede-se um impressionante duo, entre os grand-sauts, movimentos ao limite das dificuldades físicas, de rapidez, de técnica.

Apesar da loucura dos movimentos e saltos, piruetas e trabalho ao solo, as linhas cênicas são respeitadas, bem como suas formas no espaço. Tal como uma das definições da obra, há uma fuga ao Cosmos, que faz parte do Infinito. Longe da gravidade terrestre, um beijo a dois. A música sinfônica, nesse momento, exige que a preencham pelos gestos, fluidez e mesmo rapidez, saindo do selvagem. Um belo pas de deux, com portés clássicos, não foi suficiente para justamente preencher a composição musical. Fazer-se arrastar. Um rapaz, depois as moças arrastam os homens. As “tablas” iniciam um novo momento (falta, a meu ver, um melhor trabalho de torso), que parece um pouco longo, mesmo se há um êxtase no final, quando entra um bailarino, collant cor da pele, sob a luz branco-dourada. Todos os bailarinos caminham para trás, em linhas puras. É belíssimo... Sob instrumentos de corda, uma mensagem contínua com portés, e um círculo se forma. Homens e mulheres encontram-se, abraçam-se e se beijam... e se deixam.

Obras complementares, certamente, “Schwerelos” de S. Thoss e “Kosmos” de A. Foniadakis. Respeitando a “ordem do universo”, definição de “Cosmos”, do grego antigo “Kosmos”, faz parte do universo, este Infinito compreendendo a Terra e o sistema solar. Enfim, parece que não há um “depois no espaço” e que o espaço não tem limites. Mais bonito ainda, o “Universo e suas leis, ou de modo mais geral, todo o Universo real ou surgindo de uma concepção científica ou fantástica”.          

 

“Kosmos” Mús. Julien Tarride

 

Não poderíamos deixar de falar do compositor desta esplêndida obra. Percurso atípico e fabuloso. Além de compositor, artista de artes plásticas, começa seus estudos de música clássica, interessa-se pelo jazz e pela música contemporânea e eletrônica. Como Foniadakis, passa pelo Conservatório de Música de Lyon (1997-2002). Ao mesmo tempo, frequenta a Academia Nacional de Artes Plásticas de Lyon e ainda (ufa!) estudos no Estúdio Nacional de Artes Contemporâneas de Lyon do Fresnay, no setor cinema e novas tecnologias. Assim pode trabalhar, nem mais nem menos, com J-Luc Godard, C. Akerman, D. Link, entre outros.

A partir de 2002, Tarride trabalhará como compositor e coreógrafo para A. Foniadakis, B. Millepied, D. Brun, K. Ossola. Compositor para grandes obras coreográficas de prestigiosas companhias, como a Martha Graham Dance Company e a National Dance Company of Wales, trabalha também com outros , artistas plásticos, escritores e meteurs-en-scène de filmes. Continua em expansão, como também o espaço. Combina as artes de teatro com as artes de representação, as novas tecnologias geradas por computador, partituras, vídeos e imagens de computador em 3D. Sua composição “Kosmos”, criada primeiramente em 26 de outubro 2014 para o Les Ballets Jazz de Montréal foi, certamente, retrabalhada para a Casa de Dança do Nationaltheater Manheim. Uma obra forte, densa, que seja pela rapidez dos “tempi”, pela parte oriental e das tablas, que obtêm uma extensão até uma parte sinfônica, inesperada, abrindo-se à respiração, ao ar. Se colada à coreografia, a composição permite-se de vez em quando um contraponto faz bem a esta.  O todo é de grande qualidade.

 

“Os estilos”    

 

Não conhecíamos Foniadakis, o que é uma pena. Mas agora... Esplêndida, inteligente, musical, a coreografia nem lembra Béjart, nem Graham ou Oharin. A assinatura nos parece autêntica, no virtuosismo do vocabulário coreográfico, na intensidade do movimento e tratamento do espaço. Como explicamos, a grande musicalidade. Contamos entre os 11  bailarinos 6 que, se não me engano, também dançaram “Schwerelos”: L. Cheng, A. Di Francesco, A. Galindo, R. Tan, L.T. Torres, E.K. Tilson. Certo, houve uma pausa, mas para os pulmões... Bravo! Mas não é para que os invejem, estão os outros igualmente maravilhosos!

Stephan Thoss, decênios passados. Não tem estilo. Igual a ele mesmo. Fazendo quase parte das partituras das composições que usa, ele varia, desenvolve, cria junto à própria dramaturgia e concepção da obra ora realizada. É sempre surpreendente, nunca decepcionante. Seus bailarinos, formidáveis, combinando o ecletismo dos vários estilos coreográficos a uma sincera “joie de danser”, continuam a nos encantar.

“Entre a força forte, a força fraca, a força eletromagnética e a força da gravidade de intensidades diferentes, a gravidade é a mais fraca destas forças, mas de um infinito impacto”.

 

Stephan Thoss escolheu bem!

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Bayerisches Staatsballett

(première mundial)

Cor. Alexei Ratmansky

Mús. Piotr Ilich Tchaikovski (Ouvertures)

Por Celi Barbier

 

O que era um título de trabalho ficou sendo o verdadeiro título, o que achamos consequente, já que outro implicaria ser o de uma obra em si. Aqui não se trata de uma obra com dramaturgia interna. Entre a Elegia, (música de cena sobre Hamlet), Fantasia-Hamlet, A Tempestade, Fantasia para Orquestra, Romeu e Julieta (dueto cantante para soprano e tenor), Romeu e Julieta Fantasia-Ouverture, dificilmente se vê o vínculo. Muitos me perguntaram se seria necessário ler essas magníficas obras de Shakespeare para entender a coreografia. Ler Shakespeare é a beleza em si; não faria mal a ninguém. A Ouverture não precisa de uma ligação de conteúdo com as obras que se seguem (Brockhaus da música), como quis Ratmansky.

 

A 1ª. Ouverture teria sido identificada em 1640, abrindo um balé cênico em Paris, perto do instrumental de J.B. Lully. A Elegia é um gênero poético aparecendo nos anos 7 a.C. tendo sentido de tristeza ou melancolia. Fontes musicais recentes afirmam que essa conotação vai-se esvaecendo a partir do Renascimento. Fantasie – forma de realização instrumental livre de “obrigações musicais”, perto da improvisação. O título das peças musicais aparece desde o início do século XVI, algumas vezes ligado a danças e canções para dançar. A Fantasie pertence mais ao domínio da música e a Ouverture continua a ser mais empregada em óperas, ainda séculos mais tarde, com o nome de Prelúdio (para R. Wagner) ou Introdução (para G. Verdi).

 

Vamos nos lembrar de Ratmansky em nossa primeira entrevista, 2008, na cantina da Ópera de Paris, quando da tournée do Balé do Bolshoi, durante os intervalos de Spartacus, no papel-título Carlos Acosta. Já então nos confiou Ratmansky, diretor do Balé do Bolshoi à época, que o Bolshoi merecia um diretor 24 horas por dia. “Sou um artista livre que gostaria de dar o melhor de mim mesmo às companhias e aos bailarinos com quem trabalho”.

 

Alexei é russo-ucraniano, de pai ucraniano, nasceu em St. Petersburgo, depois estudos na Academia de Balé em Moscou. Dançou como primeiro solista no Balé Nacional da Ucrânia, no Royal Winnipeg Ballet e no Balé Real da Dinamarca. Desde seu tempo como bailarino, começa a coreografar para grandes companhias, como o Balé do Teatro Mariinski, o Balé da Ópera de Paris, o Balé Real da Dinamarca e o Royal Ballet. Ainda o American Ballet Theater e o New York City Ballet. De 2004 a 2008 fo ei diretor do Balé do Teatro Bolshoi e, a partir de 2009, coreógrafo residente do A.B.T. Decide, no entanto, não prolongar seu contrato com a Companhia e, em agosto 2022, começa como coreógrafo residente do New York City Ballet.

Livre das amarras administrativas do Bolshoi, uma esplêndida carreira abre-se a Ratmansky. Aos 40 anos. Suas reconstruções originais de obras clássicas permitiram uma rápida ascensão. Paralelamente, a diversidade de seus interesses artísticos: pintura e literatura. Daí o balé sobre Vassily Kandinsky, A Tempestade de William Shakespeare, Ana Karenina de Leon Tolstoi, As Perdidas Ilusões de Honoré de Balzac.

 

Para o Staatsballett de Munique, remontou Paquita, em 2014. Só falamos do que expressou quanto à herança da tradição, segundo as notações originais, que pôde obter e trabalhar sobre elas. “Quero aprender com Paquita, não como o balé é dançado hoje por outras companhias, em estilos diferentes, mas antes. Não entrar muito no âmbito da interpretação, mas na leitura dos documentos. Conectar-se com o passado é muito importante para mim, pois as coisas se perdem, os passos se perdem, o vocabulário da dança clássica se perde. Os passos desaparecem das salas de aula e, obviamente, do palco. Por isso, interesso-me pelas reconstruções sérias, tão exatas quanto possível”.

 

Foi difícil para a Companhia dançar “como antes”; os developpés mais baixos que 90 graus, os braços arredondados etc. Toda uma estética a aprender em algumas semanas. Um stress imenso para o Ensemble, Depois da geral, me confiou: “ Vou falar com eles, porque sinto em mim a responsabilidade, a possibilidade, não apenas de empregar todo esse material em minhas obras, mas transmitindo-o aos bailarinos”.

 

Não sei o que disse a eles, mas na première a Companhia mostrou-se como um Ensemble de grande nível, mesmo se nem todos dançaram “como antes”. Menos rigoroso com o Balé de Zurique foi sua reconstrução do Lago, com uma companhia mais acessível também a essa estética antiga. Mas sempre exigente. Apesar de ter ao lado da Companhia o Júnior Ballet, a Academia Zurique, os estudantes da Escola de Balé da Ópera de Zurique, ainda não estava completamente satisfeito; “Normalmente, são 24 pares, fora os outros participantes e os solistas”. Desarmante...

 

Com toda essa bagagem de vocabulário e linguagem dos passos e coreográfica, Ratmansky possui um fabuloso material para suas próprias coreografias. Faltou-me um componente, mesmo se não vi suas obras em toda profusão, e que senti no seu Lago, em Zurique: a proximidade emocional com Tchaikovsky. O que não reencontramos agora, na estranha escolha da Fantasia-Ouvertures de Tchaikovski, com um cenário dos mais sóbrios, a imensa cena às vezes praticamente “habitada” só por um solista.

A grande sobriedade já traz em si uma emoção, porque nela ficamos fixados naquilo que involuntariamente somos. Ou voluntariamente? A tradução musical dos passos, dos ângulos, das determinações do espaço, é sentida como um fino brilho de lembranças. Quem é Hamlet, quem são Romeu e Julieta, o que representa A Tempestade? Serão já arquétipos? Morte, Devastação, Amor-Paixão.

 

O fato de não querer, nesse momento, criar uma obra narrativa, mas peças de um grande compositor, sobre obras de um grande escritor, já é uma escolha. E qual? Dois imensos artistas, cujas obras já pertencem ao “inconsciente coletivo”, juntos, para uma grande obra emocional. A “narração”, que aparentemente não existe, é sub-reptícia, pois há também uma escolha das obras segundo um critério, seguramente um itinerário, psicológico e emocionalmente “narrativo”.

A ideia do coreógrafo de transmitir emoção ao público e uma relação das obras junto a ele é um pouco temerária, já que a emoção é fundamentalmente individual. Para William James, o essencial da emoção tem a ver com “mudanças corporais”.

Me reconhecendo como parte do público, não consegui o relacionamento desejado, sendo as obras distintas, certo, mas ligadas por uma dramaturgia interna, evidentemente mesmo musical. Entre os (certamente necessários) intervalos, longos, de 25 a 30 minutos, a emoção perde-se em “banalidades sociais”. A ideia do ótimo dramaturgo Serge Hoenegger de que Ratmansky conseguiria “deixar um mundo aparecer a cada momento, quando a cortina se abre, e ser capaz de estabelecer um novo começo”, não nos parecia difícil.
 

Mas...

Nos aproximamos do brilhante cenógrafo Jean-Marc Purissant, ex-bailarino do Balé da Ópera de Paris: “O balé clássico abstrato dirige nossa percepção, mas nos deixa a liberdade de pensarmos por nós mesmos, a liberdade de reflexão, dos  sonhos e lembranças. Ao que responde no programa o próprio Ratmansky: “Na área da emoção estamos no balé particularmente credíveis. Porque podemos representar o indizível. De certa forma, a música também. Mas como bailarinos conseguimos ir mais além na representação da emoção, através de nosso corpo, rosto, olhos, nosso espírito, nossa energia. Mas o melhor de tudo é dançar”.

 

É do que falaremos em nosso próximo texto...

 

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Walter Haupt homenageia

 

Celi Barbier por seu Jubileu

 

Todos sabemos que Walter Haupt é um dos maiores compositores contemporâneos do mundo, afiliado a Carl Orff, seu mentor. Um dia, o mestre lhe “intimou”: você terá de encenar Carmina Burana, com fantásticos costumes da Idade Média, e bem engraçados, como quero. O que foi feito, na Köenigsplatz, em Munique, quando de seu centenário, 1895-1995. Estamos ainda longe da homenagem a Celi.

Criando os Sons das Nuvens e outras ideias inovadoras, como escrevemos no seu Portrait, quando no Brasil que adora, foram 250 mil espectadores em Copacabana para Carmina Burana. Uma loucura total, diz ele. Assim em São Paulo, no Pacaembu, assim no Teatro Municipal, no Rio de Janeiro. Na América do Sul, 18 espetáculos. Ao todo, 16 anos de tournées mundiais, 40 países, 200 espetáculos. Estrondoso sucesso!

Vale a pena rever nosso Portrait incluindo uma última obra, Marie Antoinette, para o Staatsballet de Linz, Áustria. Na época, com 85 anos e uma esplendorosa vitalidade. Para a obra, 76 músicos e 52 ercussionistas.

Em 1972, para os Jogos Olímpicos, coube ao ministro da Baviera fazer a encomenda. Uma obra expressamente coreográfica e inovadora, tendo Celi como co-coreógrafa e assistente do diretor de balé, dr. Dieter Gackstetter. Ela recém-chegada a Munique. Foi o primeiro balé do mundo usando raio laser.

“Pontualmente, trabalhamos juntos. Criei para Celi, um solo “A Noite”, que fez parte da minha criação “Träume”: Sonhos sobre Le Bateau Ivre de Rimbaud, cujos versos ela também recitava, tendo retrabalhado e destorcendo a voz, teve um impacto do irreal, a cena experimental, toda coberta de espelhos, mesmo o espaço para a dança, mil prismas.

Em 1979, Kontrapunkt, para a cena experimental, de grande sucesso. Segue uma noite inteira dedicada a Samuel Beckett, em homenagem aos 80 anos do grande escritor, Prêmio Nobel de Literatura, para o Ballet da Opera de St. Gallen (Suissa).

Depois da tournée de 16 anos, Walter quis conhecer seu país. Compraram, então, um Wohn Mobil e percorreram a Alemanha “desconhecida”. Um tour de force para a maravilhosa esposa Rosi, organizadora, administradora, esplêndida na gastronomia para os convidados e no savoir faire. Me receberam os dois na mansão perto de Munique, branca, com ornamentos dourados. Do verdejante jardim sobressaem estátuas femininas, lembrado as da Grécia antiga. Entrada real. Aos lados do portal, duas belíssimas estátuas de Buda, em bronze. Diante delas, um triângulo em vidro com velinhas acesas em seu interior. Que acesas ficaram quando Celi cruzou o portal, tendo sobre ela uma lira em ouro. Emoção...

Florinhas rosas e delicadas pensavam esconder o presente. Inesperado o Allegretto, especialmente composto – “para Celi”. A convite, dirigiu-se ela ao salão imenso, com piso de mármore, um piano de cauda à espera. Walter, sorriso aberto, com o humor que lhe é peculiar, sentou-se ao piano: “Será que posso ainda interpretar?” Os sons do Allegretto afloram em Celi, além de alegria, a reflexão e as lembranças.                     

“Celi, uma verdadeira beleza, uma graciosa figura de arte viva na qual o sensual encontra o espiritual e se funde em uma unidade estética.

Celi, minha alma gêmea!

Nós experimentamos tantas estreias de sucesso juntos. Você como a graciosa dançarina em minhas primeiras composições, mais tarde como a colaboradora extremamente inteligente em meus últimos trabalhos.

Trabalhar com você foi e é sempre um enriquecimento maravilhoso."