William Forsythe: Objetos coreográficos

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Para sua primeira exposição no Brasil, o coreógrafo e artista visual norte-americano William Forsythe (69 anos) escolheu o Sesc Pompeia. Realizada pelo Sesc São Paulo, com curadoria da Forsythe Produções, em colaboração com Veronica Stigger, “William Forsythe: Objetos coreográficos” abre nesta terça-feira, 26 de março, ficando em cartaz até 28 de julho.

A mostra reúne onze grandes obras, que unem conceitos das linguagens da dança e artes visuais. Os trabalhos convocam o público a se movimentar e ocupam diferentes espaços da unidade, em diálogo com a arquitetura do edifício projetado por Lina Bo Bardi.

Inédita, Instrução, São Paulo (2019) leva os visitantes erguerem suas cabeças para ler as quatro frases instaladas nas passarelas do conjunto esportivo. As letras foram confeccionadas em paetê, seguindo a tipologia da unidade Pompeia, também proposta por Lina Bo Bardi. A frase mais alta, “À mercê do quê?”, está a mais de 30 metros do chão.

Em nenhum lugar e em todos lugares ao mesmo tempo, São Paulo (2015/2019) ganhou uma nova versão no Galpão da unidade. Mais de 400 pêndulos em movimento contínuo ocupam a área de 300 m2, fazendo o público se deslocar de um lado ao outro para desviar dos objetos, numa espécie de dança não coreografada.

Insustentáveis, São Paulo (2019), desenvolvida especialmente para a exposição, foi montada ao redor do “lago”, na Área de Convivência. Um conjunto de painéis suspensos formam um círculo, sem nenhum objeto no centro, apenas uma iluminação mais intensa. Pelos painéis e fones de ouvido, o participante recebe orientações para se mover neste espaço, como “colocar um pé na frente do outro, enquanto balança os braços em variadas direções”.

Cidade de abstratos (2000), no Hall do Teatro, traz um gigante painel de vídeo com câmera acoplada que projeta imagens dos espectadores que estão no local. Seus corpos surgem distorcidos na tela, em formas alongadas e em espiral. Já Stellentstellen (2013) é um vídeo duplo em que dois bailarinos entrelaçam seus corpos em movimento contínuo. Ele é exibido em slow motion, num híbrido de coreografia, filme e escultura.

SOBRE O ARTISTA

William Forsythe nasceu em Nova York, em 1949, e reside em Vermont.

Atuou em diversas companhias. No Stuttgart Ballet, foi nomeado coreógrafo residente em 1976, permancendo na posição por sete anos. Em 1984, iniciou um mandato de vinte anos como diretor do Ballet Frankfurt, criando em seguida a Forsythe Company, que dirigiu de 2005 a 2015.

Recebeu o prêmio de dança e performance de Nova York, o Bessie (1988, 1998, 2004, 2007), o Prêmio Laurence Olivier, de Londres (1992, 1999, 2009), o título de Commandeur des Arts et Lettres (1999) pelo governo da França, o Leão de Ouro da Bienal de Veneza (2010) e o Grand Prix de la SACD (2016), entre outros.

Seus trabalhos com instalações e vídeos foram apresentados em inúmeros museus e exposições, incluindo a Whitney Biennial (Nova York, 1997), Festival d'Avignon (2005, 2011), Museu do Louvre (Paris, 2006), Pinakothek der Moderne (Munique, 2006), Tate Modern (Londres, 2009), MoMA (Nova York, 2010), MMK - Museu de Arte Moderna (Frankfurt, 2015) e 20ª Bienal de Sydney (2016). Entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019, apresentou a exposição “William Forsythe: Choreographic Objects” no Institute of Contemporary Art (ICA) de Boston. Atualmente é professor de dança e conselheiro artístico do Instituto Coreográfico da University of Southern California Glorya Kaufman School of Dance. É representado pela galeria Gagosian.

SOBRE VERONICA STIGGER

Escritora, curadora independente, crítica de arte e professora universitária, nasceu em Porto Alegre, em 1973, e vive em São Paulo.

Doutora em Teoria e Crítica de Arte pela Universidade de São Paulo (USP), é atualmente professora de Pós-Graduação na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Foi curadora de diversas exposições, incluindo “Maria Martins: metamorfoses”, no MAM-SP (2013), vencedora do Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Maria Eugênia Franco da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), além de “Variações do corpo selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo”, no Sesc Ipiranga (2015) e atualmente no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) em Portugal, e “As durações do rastro: a fotografia de Jordi Burch frente à arquitetura de Álvaro Siza Vieira”, na Fundação Iberê Camargo (2018), em Porto Alegre. Por seu livro “Opisanie świata” (São Paulo: Cosac Naify: 2013) recebeu os prêmios Machado de Assis, São Paulo (autor estreante acima de 40 anos) e Açorianos (narrativa longa) e “Sul” (34: 2016) conquistou Prêmio Jabuti (contos e crônicas). 

William Forsythe: Objetos coreográficos

Sesc Pompeia: Rua Clélia, 93

Abertura: 26 de março, às 20h

Visitação: 27 de março a 28 de julho de 2019

Horários: Terça a sábado, 10h às 21h30. Domingo e feriado, 10h às 19h30.

Para agendamentos de grupos: escreva para o e-mail agendamento@pompeia.sescsp.org.br ou ligue para (11) 3871 7759

Entrada gratuita