São Paulo Companhia de Dança inicia sua primeira turnê internacional de 2019

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A São Paulo Companhia de Dança, corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa, prepara-se para mais uma turnê internacional que tem início no dia 04 de abril. A Companhia viaja desde 2011 para levar a dança da São Paulo a outros países. E para este ano não foi diferente: foi convidada a  integrar a programação de renomados teatros – na Alemanha, França, Holanda e Suíça.

A dança da Companhia do Governo do Estado de SP é prestigiada pelo público internacional e pelos produtores que compram os espetáculos e pagam todos os custos da turnê. Os cachês  que a Companhia recebe pelas apresentações, possibilitam também a ampliação de projetos e espetáculos no nosso Estado.

O repertório dos espetáculos internacionais conta com quatro obras criadas especialmente para a São Paulo: Ngali...(2016), de Jomar Mesquita com a colaboração de Rodrigo de Castro – melhor espetáculo de 2016 pelo Guia da Folha; The Seasons (2014), do canadense Édouard Lock – que recebeu o Prix de la Danse de Montréal em 2016 por essa coreografia e sua carreira; Melhor Único Dia (2018), de Henrique Rodovalho - eleito como terceiro melhor espetáculo pelo Guia da Folha e como melhor estreia do ano pelo Prêmio APCA e; Odisseia (2018), de Joelle Bouvier - uma coprodução com Chaillot - Théâtre National de la Danse, na França - indicada pelo voto popular como terceiro melhor espetáculo na enquete promovida pela Folha de S.Paulo.

Completam o programa internacional três remontagens: Suíte para Dois Pianos (1987), de Uwe Scholz; Pássaro de Fogo (2010), do alemão Marco Goecke; além de Gnawa (2005), de Nacho Duato.

“Esse é o nono ano que a São Paulo realiza sua turnê internacional. É uma alegria mostrar a dança do Estado de São Paulo aos diferentes públicos do mundo, por meio de remontagens de obras que são referências na dança, assim como criações assinadas por grandes nomes nacionais e internacionais”, comenta Inês Bogéa, diretora artística da São Paulo Companhia de Dança.

A turnê começa na Holanda, em Heerlen, que receberá a São Paulo pela primeira vez com as coreografias The Seasons, Pássaro de Fogo e Melhor Único Dia. Depois será a vez da Alemanha, em Mainz, onde a Companhia esteve em 2017. Lá o repertório  será composto por Suíte para Dois Pianos, Melhor Único Dia e Ngali.

Na sequência, o elenco segue para a Suíça, em Fribourg, com The Seasons e Gnawa – e encerra a primeira viagem internacional deste ano em solo francês. Sainte Maxime será a primeira cidade e depois o renomado Chaillot - Théâtre National de la Danse (Teatro Nacional da Dança) na cidade luz – Paris. O programa para o público francês será formado pelas obras: Melhor Único Dia, Pássaro de Fogo, Odisseia e Suíte para Dois Pianos.

 

A São Paulo Companhia de Dança voltará à Alemanha em julho e outubro, além de outra passagem pela França e Alemanha em dezembro.

Turnê Internacional – São Paulo Companhia de Dança

04 de abril | às 20h  | Theater Heerlen | Heerlen, Holanda

06 de abril | às 19h30 | Staatstheater Mainz | Mainz, Alemanha

10 de abril | às 20h | Théâtre Équilibre | Fribourg, Suíça

13 de abril | às 20h | Le Carré Théâtre | Sainte Maxime, França

18, 19 e 20 de abril | às 19h30, às 20h30 e às 15h30, respectivamente | Chaillot – Théâtre National de la Danse | Paris, França

 

Obras que serão apresentadas

Pássaro de Fogo (2010)

Coreografia e figurino: Marco Goecke
Música: The Firebird (Berceuse e Final), de Igor Stravinsky (1882-1971)

Dramartugia: Nadja Kadel
Iluminação: Udo Haberland | Versão para SPCD: Wagner Freire

Remontagem: Giovanni Di Palma

Marco Goecke criou este pas de deux para a música de Stravinsky - composta para o balé de Michel Fokine, The Firebird, estreado em 1910 - na ocasião dos 100 anos da obra, durante o Holland Dance Festival (2010). Goecke remodela o que na época estava totalmente de acordo com o caráter dos contos de fada russos originais – a luta de Ivan Tsarevich contra o mágico Koschei para libertar Tsarevna e seus companheiros do cativeiro – desembocando em um encontro entre duas criaturas tímidas. Utiliza dois trechos da música de Stravinsky: o acalanto no qual o mítico pássaro faz todos adormecerem com sua mágica e o trecho final da obra. Seu dueto pode ser interpretado, inclusive, como um encontro entre o pássaro de fogo e o príncipe, duas criaturas de diferentes naturezas: um pássaro que dança e um humano que voa”, fala Nadja Kadel, produtora e dramaturga de Goecke.

Odisseia (2018)

Coreografia: Joelle Bouvier

Música: trechos de Bachianas Brasileiras de Heitor Villa Lobos, Paixão Segundo São Mateus de Johann Sebastian Bach, Melodia Sentimental de Villa Lobos (letra de Dora Vaconcellos) e poema Pátria Minha de Vinícius de Moraes

Iluminação: Renauld Lagier

Figurino: Fábio Namatame

Assistente de coreografia: Emilio Urbina e Rafael Pardillo

Odisseia é uma viagem, um reencontro consigo mesmo. Movida pela questão dos migrantes da atualidade, a coreógrafa constrói uma estrutura dramática e poética que aborda temas como mudança, transição, partida e a esperança de uma vida melhor. “Neste momento, somos todos sensíveis a esta questão, que é forte no mundo.”, comenta Joelle. Bouvier explica que procurou misturar fragmentos das Bachianas Brasileiras com a composição de Bach, Paixão Segundo São Mateus. Ao final temos na voz de Maria Bethânia, a música Melodia Sentimental e o poema Pátria Minha. A obra tem coprodução com Chaillot – Théâtre National de la Danse, na França.

Suíte para Dois Pianos (1987)

Coreografia: Uwe Scholz (1958-2004)

Músicas: Suíte para Dois Pianos, Opus 17 de Sergei Rachmaninoff (1873-1943), interpretada por Martha Argerich e Nelson Freire

Iluminação: André Boll

Remontagem: Giovanni Di Palma           

Em Suíte para Dois Pianos, o coreógrafo alemão Uwe Scholz criou movimentos inspirados nas reflexões do artista plástico Wassily Kandinsky e na música do russo Sergei Rachmaninoff. Quatro obras de Kandinsky são projetadas ao fundo da cena, ampliando a relação entre as diferentes artes. Uwe foi um coreógrafo que espelhou na dança a estrutura, as dinâmicas e as intensões  da música.

Melhor Único Dia (2018)

Coreografia e iluminação: Henrique Rodovalho
Música: Criação original de Pupillo com voz de Céu
Figurino: Cássio Brasil

Rodovalho comenta que neste trabalho experimenta movimentos expandidos e continuados a partir da relação dos bailarinos que permanecem todo o tempo em cena. “As referências sobre esta característica vieram de grandes grupos de animais em movimento e como se desenvolvem e se relacionam”, diz o coreógrafo. A obra trata sobre ‘o que tem de acontecer’, neste breve espaço de tempo de existência deste grande grupo, relacionado principalmente a algum tipo de prazer. Por isso, o nome Melhor Único Dia. “Para tentar traduzir, de alguma forma, a curta existência que se expressa através do movimento em grupo”, completa Rodovalho. Esta obra foi eleita como terceiro melhor espetáculo pelo Guia da Folha (2018) e como melhor estreia de 2018 pelo Prêmio APCA.

The Seasons (2014)

Coreografia: Édouard Lock
Música: The Seasons, Gavin Bryars, publicada pela Schott Music Ltd, e executada ao vivo pela Percorso Ensemble, dirigida por Ricardo Bologna
Cenografia: Armand Vaillancourt
Figurinos: Liz Vandal (mulheres), Édouard Lock (homens)

As imagens criadas por Édouard Lock em The Seasons revitalizam o sentido da memória da dança. Na cena se podem observar diversas camadas, que interagem umas com as outras – dança, música, cenário e luz – e criam novas relações, tanto para quem vê, quanto para quem está na cena. Cada gesto tem seu correspondente em um movimento da luz, que corta o espaço como se editasse ao vivo o que se vê. O gestual oscila entre movimentos vigorosos e de muita suavidade. Lentidão e rapidez intensa permeiam as cenas, na velocidade do pensamento, desorientando nossa percepção.

Gnawa (2005)

Coreografia: Nacho Duato
Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian

Iluminação: Nicolás Fischtel
Figurino: Luis Devota e Modesto Lomba

Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre (1964-2013)

Gnawa é uma peça que utiliza os quatro elementos fundamentais - água, terra, fogo e ar - para tratar da relação do ser humano com o universo. A obra apresenta o reiterado interesse de Nacho Duato pela gravidade e pelo uso do solo na constituição de sua dança. Os gnawas são uma confraria mística adepta ao islamismo, descendentes de ex-escravos e comerciantes do Sul e do centro da África, que se instalaram ao longo dos séculos no norte daquele continente.

Ngali... (2016)

Coreografia: Jomar Mesquita com colaboração de Rodrigo de Castro

Música: Por Toda a Minha Vida, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes (cantada por Cibelle); Melancolia e Uma Canção pra Você (Jaqueta Amarela), de Assucena Assucena (executada por As Bahias e a Cozinha Mineira); Segunda Chance, composta e executada por Johnny Hooker; Volta, de Lupicínio Rodrigues (cantada por Adriana Calcanhoto); O Desejo do Desejo do Desejo, de Celso Sim e Pepe Mata Machado; Vai Saber de Adriana Calcanhoto cantada por Marisa Monte

Iluminação: Joyce Drummond

Figurino: Fernanda Yamamoto

 

Ngali... tem como referência a peça teatral La Ronde, de Arthur Schnitzler - escrita em 1897 – a obra retrata diferentes relações amorosas que incluem um terceiro – e traz elementos da dança de salão para retratar as diferentes formas de amar. Ngali é uma palavra de origem aborígine da Austrália Ocidental, cujo significado, sem correspondente em outro idioma, é: “nós dois, incluindo você”. Em oposição a outro pronome da mesma língua - Ngaliju - que quer dizer: “nós dois, excluindo você”.

 

 

SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA

Direção Artística | Inês Bogéa

Criada em janeiro de 2008, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) é um corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa, doutora em Artes, bailarina, documentarista e escritora. A São Paulo é uma Companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos XIX, XX e XXI de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas, especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal de seu trabalho. A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior e é hoje considerada uma das mais importantes companhias de dança da América Latina pela crítica especializada. Desde sua criação, já foi assistida por um público superior a 660 mil pessoas em 17 diferentes países, passando por mais 136 cidades, em mais de 860 apresentações. Desde sua criação, a Companhia já acumulou 22 prêmios, nacionais e internacionais. Além da Difusão e Circulação de Espetáculos, a SPCD tem mais duas vertentes de ação: os Programas Educativos e de Formação de Plateia e Registro e Memória da Dança.

INÊS BOGÉA - Direção Artística | Inês Bogéa - é doutora em Artes (Unicamp, 2007), bailarina, documentarista, escritora e professora no curso de especialização Arte na Educação: Teoria e Prática da Universidade de São Paulo (USP). De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Foi crítica de dança da Folha de S. Paulo de 2001 a 2007. É autora de diversos livros infantis e organizadora de vários livros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado (2007-2008). É autora de mais de quarenta documentários sobre dança.