Profissionalização da dança

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Com o possível fim do DRT (registro de trabalho dos artistas) muitas manifestações começaram à surgir nas redes sociais. Mas me pergunto, qual a importância real do DRT para o artista brasileiro? Infelizmente quase nenhuma; não digo isto porque não acho importante mas justamente pela falta de importância que se dá à este registro. Eu mesma só o usei uma vez até agora, muitos nunca o usaram, e uns poucos o utiliza realmente.

Vivemos em um país que não valoriza o profissional da arte, em muitos eventos os produtores só querem saber do menor preço, então não se preocupam se os contratados são profissionais ou não, até porque não há nada que impressa qualquer um de fazer o trabalho que deveria ser feito somente por profissionais. E me pergunto, alguém faz algo à respeito sobre isto? Os sindicatos fazem algo? Então somente ter um DRT não é suficiente, é preciso que ele funcione.

Outra questão é que muitos lugares pedem DRT para dar aula, e na minha opinião, ser artista e ser professor são coisas bem diferentes, nem todo excelente bailarino é um bom professor e vice-versa; e por isto temos cursos de bacharelado e licenciatura. O bailarino profissional precisa de DRT, e o professor além da vivência em dança precisa de um curso de licenciatura. Uma coisa não pode ser confundida com a outra.

Um DRT que funcionasse melhoraria a vida dos artistas profissionais, sua valorização, respeito e qualidade de trabalho. E para os professores por que não criar um outro órgão para a fiscalização? O problema é, será que se um dia ele fosse criado, iria funcionar como deveria ser? Aí penso que nem tudo depende de sindicatos, conselhos, etc. Mas de cada um, de cada profissional. Se não nos unimos, se não exigimos, se não mostramos nosso valor, ninguém o fará. Lembremos que “somos apenas uma gota no oceano, mas sem ela, o oceano seria menor”.

Faça sua parte, seja profissional e demonstre que só profissionais devem ser contratados, cada um na sua área. E exija que seus representantes realmente o represente e exerça sua função.

Por  Miriam Lamas Baiak