Prólogo do Ballet Romântico

Compartilhe

Prólogo do Ballet Romântico

Ao se pensar em um marco que determine o início do romantismo no ballet, com certeza o que nos vem como principal referencia é o ballet La Syphide de Filippo Taglioni. No entanto, este marco não seria possível sem a grande estreia do ballet das Freiras da Opera Robert le Diable.

Robert le diable é uma grande ópera em cinco atos com música de Giacomo Meyerbeer e libreto francês de Eugène Scribe e Casimir Delavigne. Com uma música dramática e seus sensacionais efeitos de palco (especialmente no Ballet das freiras), Meyerbeer levou o público parisiense a exaltar e relacionar essa peça aos fatos políticos que anunciavam a guerras burguesas do século XIX.  Frédéric Chopin, que estava entre a platéia, chegou a afirmar: "Se você já viu magnificência no teatro, duvido que atinja o nível de esplendor mostrado em Robert,uma obra-prima, Meyerbeer tornou-se imortal. "

A ópera estreou em 21 de novembro de 1831 na Ópera de Paris e o sucesso foi em grande parte devido aos cantores Nicolas Levasseur como Bertram, Adolphe Nourrit como Robert e com a grande dançarina Marie Taglioni.

Essa participação de Marie Taglioni iria lançar o estereótipo de bailarina etérea que pesaria em seus baixos ombros. Nesta peça, Taglioni interpretava a Abadessa Helena, líder de uma falange de espíritos transviados de freiras que pecaram na luxuria. Esses espectros de freiras assombravam um antigo convento em ruínas e levavam os homens ao desvio dos pensamentos na área da sexualidade trasviada com danças lascivas os levando a perdição do inferno. No contexto da Opera, o Ballet das freiras, inaugurava as figuras do ballet branco, ou seja, espíritos etéreos que se caracterizavam pelo uso de tules brancos e danças em pontas onde se “flutuava” pelo palco. Tudo isso é muito significativo para a inserção da imagem da bailarina de tutu branco, pele rosada, mulher ideal em um mundo imaginativo do Romantismo e lá estava ela, Marie Taglioni, interpretando a personagem principal do Ballet da Freiras.

Foi a partir desta encenação, em um trecho de ópera, que o Ballet vai tomar posse do seu lugar no romantismo abrindo as portas para que a Grande Obra de Taglioni, La Sylphide, possa tomar seu lugar na História. Nos anos que se seguiram a Robert Le Diable, uma geração de escritores, críticos de arte, pintores e músicos começariam a se interessar pela dança através de Taglioni. Théophile Gautier, Jules Janin, Balzac, Heine, Stendhal e Victor Hugo, são alguns dos principais nomes que escreveram sobre o ballet nesta época.

 

 

 

Ajude-nos a manter o trabalho da Dança Brasil.

Nosso jornalismo acompanha e divulga a arte da dança.

Está a serviço da arte da dança e da diversidade de opinião.

Há 27 anos, a Dança Brasil exercita o jornalismo transparente, fiel à verdade factual, atenta à diversidade cultural na área da dança.

Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores.

Faça parte da Dança Brasil! Assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica.

A arte da dança agradece.

Clique no link abaixo e faça sua assinatura anual por apenas R$ 55,00.

https://www.paypal.com/webapps/hermes?token=32F02702HK5524050&useraction=commit&mfid=1553687958902_64c5971e79a3b