PLANO-SEQUÊNCIA/ TAKE 2

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A companhia mergulhou em um intensa pesquisa com o cinema desde Take a Deep Breath, peça de 2016, feita no espaço do próprio grupo, a Sede Capital 35. Lá, embora o grupo já usasse a ideia de longas sequências em tempo real e discutisse os limites do que é ou não parte da cena, ainda não explorava um lugar aberto, com interferências da cidade.

Interlocutor no projeto, o cineasta Heitor Dhalia lançou ideias de sua experiência com o cinema para ajudar a companhia a ampliar as possibilidades de caminhos e de formatos da união entre dança e cinema.

"O Jorge é um criador totalmente conectado com o nosso tempo. Produz uma arte urgente, em movimento, que pesquisa uma intersecção entre linguagens. No caso, o cinema e a dança. Sou fã dessa pesquisa e acho que novos significados surgem a cada espetáculo. É fascinante ver um grupo com uma visão criativa tão interessante e desafiadora", afirma Dhalia.

 

Corpo-câmera

Na nova coreografia, os bailarinos se transformam em corpo-câmera no manejo da 80D Canon, da Canon. O trabalho de gruas e travellings feito no cinema geralmente por máquinas, no espetáculo são conduzidos pelos próprios intérpretes, em deslocamentos de grande exigência física - para que as imagens não tremam ou sofram com passagens bruscas.

Fizemos um grande estudo para adaptarmos essa linguagem à dança. Desde como o corpo se comporta para usar a câmera, passando por entender a fotografia e a luz no cinema até a captação direta de áudio, conta o Jorge.

Para chegar a esse resultado, o grupo contou com as experiências de alguns profissionais de diferentes áreas em workshops, realizados ao longo do ano: "Corpo-câmera", com o também bailarino e artista multimídia Joaquim Tomé; "Experiências cênicas na construção de um ato-espetáculo-DRAMATURGIA", com Rogério Tarifa, diretor, ator e dramaturgo; "Experiências cênicas na construção de um ato-espetáculo - O som no cinema”, com Diego da Costa, diretor, roteirista, montador e microfonista de cinema; "Cinematografia", com o diretor de fotografia Azul Serra.  

Plano-Sequência

Divido em três atos, o público acompanha a narrativa sendo construída e pode assisti-la pelo que está enquadrado na grande tela, disposta na entrada do espaço, ou deslocando-se com os bailarinos, assistindo ao vivo a composição cênica.

Nessa nova criação para a Oficina Cultural Oswald de Andrade, para criar essa estrutura dramática, Jorge Garcia também levou em consideração a relação dos intérpretes entre eles e com o próprio lugar. O que a Oswald de Andrade representa hoje para a cidade? Qual sua relação com o entorno, sua história? Foram questões levantadas ao longo do processo. A música será executada ao vivo pelo músico Eder “O“ Rocha e terá outras ambientações sonoras.

Jorge Garcia (Diretor e Intérprete)

Jorge Garcia começou sua carreira aos 19 anos, em Pernambuco, na Compassos Cia de Dança. Mas sua inquietação com o movimento vem desde a infância, quando gostava do surfe e do futebol de várzea. Combinou essa herança corporal com estudos em danças populares brasileiras, dança contemporânea e balé clássico.

Chegou a São Paulo aos 23 anos e ingressou como bailarino da Cisne Negro Cia de Dança. Depois, a convite de Ivonice Satie, passou a integrar o elenco do Balé da Cidade de São Paulo. Nesse grupo, permaneceu por sete anos e criou trabalhos marcantes como Divineia (2001) e RG (2006) e Árvore do Esquecimento (2015).

Paralelamente, participou e criou para projetos independentes. Fundou, por exemplo, o GRUA (Gentlemen de Rua), grupo de improviso, vídeo e performance. Também trabalhou com óperas, teatro, circo e cinema.

Em 2005, fundou sua própria companhia, a Jorge Garcia Companhia de Dança, com a qual se dedica a sua pesquisa de linguagem em dança e outras possibilidades artísticas. São mais de 20 trabalhos entre coreografias, videodanças e performances.

Jorge Garcia Companhia de Dança

Desde que foi fundada, em 2005, a companhia desenvolve pesquisa em dança e busca novas possibilidades na intersecção com outras artes e na valorização dos artistas como intérpretes-criadores em potencial.

Sediada em São Paulo, em um espaço próprio, a Capital 35, o grupo conta com mais de 15 trabalhos apresentado ao longo dos anos e estabeleceu diversas e importantes parcerias com outras artes: teatro, música, cinema e artes visuais. Para tanto, conta com colaboração contínua de artistas e grupos, Ari Buccioni, Leo Ceolin e mais recentemente Heitor Dhalia, que conferem às produções da Companhia uma estética própria.

A Jorge Garcia Companhia de Dança possui em seu repertório mais de vinte produções entre espetáculos, videodanças e performances. Entre as peças, destacam-se Cantinho de Nóis (2005), a trilogia Nihil Obstat (2009), Imprimi Potest (2013) e Imprimatur (2014), Área Reescrita (2010) e a mais recente pesquisa Take a Deep Breath (2016). Em 2014, o editor e poeta Cide Piquet organizou a publicação de Lugar Algum, e-book que reflete e revisa a trajetória da Companhia.

Ficha técnica

Direção e Coreografia: Jorge Garcia

Assistência de direção: Mariana Molinos

Elenco: Giuli Lacorte, Jorge Garcia, Manuela Aranguibel, Marina Matheus, Rafaela Sahyoun

Bailarino Convidado: Felipe Teixeira

Design de Luz: Ari Buccioni

Improvisação Sonora: Eder “O“ Rocha

Cenário : Leo Ceolin e Jorge Garcia

Figurino: Jorge Garcia

Design Gráfico: Sonaly Macedo

Registro Fotográfico: Silvia Machado

Produção Executiva: Bufa Produções – Aline Grisa

Assistente de Produção: Bufa Produções – Sol Casal

 

Serviço

PLANO-SEQUÊNCIA/ TAKE 2

Oficina Cultural Oswald de Andrade

Rua Três Rios, 363, Bom Retiro | São Paulo | SP

Tel. 11 3222-2662

Temporada:

29/11 a 8/12 - Quartas, quintas e sextas, às 11h.

Gratuito | 50 lugares | 70 minutos | Livre.