O vírus que consome a cultura

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O vírus corona destruiu milhares de vidas em todo o mundo, cortou milhões de empregos e interrompeu todas as atividades, especialmente cultura, o vírus trouxe outro tipo de vírus, também formidável: a precariedade. Essa precariedade que mais atinge os mais vulneráveis: os artistas (leia-se bailarinos, coreógrafos e professores) e empresários dos ensino da arte da dança (leia-se escolas). A maioria dos destes artistas são independentes, e como a maioria das escolas de dança não são ligados a nenhum sindicato especifico as escolas dependem de mensalidades que são sempre incertas, já os artistas sempre enfraquecidos diga-se o lado mais frágil desta cadeia, estão se virando como podem. Agora com o isolamento tudo está enfraquecido ou nulo por falta de estruturas coletivas e ações fortes o suficiente para defender seus interesses.

A acentuada deterioração de suas situações financeiras legitimamente deixou toda esta cadeia sem horizonte imediáto.

Precarização, instrumentalização e descontração: essa postura discursiva, que assimila os artistas, ao mesmo tempo em que negligencia suas condições de existência, permeia as concepções e ações das mais altas autoridades estatais: aquelas que, durante anos promoveram as reduções no financiamento público em todos os setores da cultura.

O vírus que consome a cultura e torna os artistas mais precários evidenciando a falta de politização de seus integrantes, sindicatos fracos ou inexistentes e sem articulação política governamental. Se a clarividência é uma condição de uma ação relevante, os artistas, hoje rejeitados em precariedade, são mais necessários do que nunca!