Entrevistamos Simone Malta

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Quais lembranças do início de sua carreira?

Quando comecei a ministrar aulas, eu ainda dançava! E a paixão por ensinar, foi crescendo! Me lembro que um dia quando numa apresentação comecei a confundir a coreografia que montava para minhas alunas com a coreografia que eu dançava, disse: chega, está na hora de só ensinar! Me lembro que sofria mas que também tinha uma missão. E como na minha época as chances de se profissionalizar eram distantes, ainda mais vindo de Goiânia, queria mudar esta realidade! E dar as chances que muitos de nós não tivemos! 

 

Como você vê a vida do profissional de dança em nosso país?

A situação não está nada boa. Ver Nosso único corpo de baile oficial passar pela situação que está  passando é muito triste. Pela falta de opção no Brasil, estudantes bailarinos, encerram sua carreira muito cedo, ou partem para ministrar aulas,  ou dançam, sem pensar na parte de formação artística, apenas para ganhar dinheiro e se sustentar, isto quando já não ganham uma bolsa de estudos com 15 ou 16 anos e vão embora do país! Não vejo um engajamento nem social e muito menos político para realizar projetos ou defender o profissional ou a profissionalização da dança no país. 

 

Qual sua opinião sobre os festivais competitivos de dança?

Acho super válidos quando usados como ferramenta de comparação para uma melhora ou crítica construtiva! Eles servem de parâmetros principalmente para quem mora longe do eixo rio São Paulo e não tem acesso a grandes produções artísticas. Um bom festival leva o aluno 

 

Como professora o que inspira em suas aulas?

A vontade de aprender de cada um que está na sala. A sede dos alunos me alimenta. A vontade de se superarem, de serem brilhantes, me faz levantar todo dia da cama para derrubar um leão e sempre lutar por eles. O brilho nos olhos de cada um me inspira! Estar na sala e ensinar para quem quer aprender é inspirador! 

 

Qual a importância da graduação universitária em dança na formação de um profissional de dança?                                                                               

 A graduação vem acrescentar saberes didáticos, metodológicos, teóricos e técnicos.Teoria e prática andam juntas, uma não existe sem a outra. Porém Acho válida, Quando  vem munida com um saber já adquirido antes,   não se aprende a ser um artista na faculdade, é bem mais profundo! A busca pela profissionalização em dança no Brasil envolve  perseverança e persistência. 

 

O que é a dança para você?

A dança é o lugar onde posso colocar todos os meus sonhos em prática! É onde eu posso doar 100% de meus esforços sem pedir nada em troca, mas ao mesmo tempo recebendo tudo em dobro. É onde honestamente meu tempo é aproveitado com muito carinho e dedicação! É onde posso ajudar as pessoas a realizar também os sonhos delas. É onde vejo uma criança expor seu sentimento, privar de sua vida social, de seus amigos por um ideal. A dança é também minha casa, minha família meus amigos. 

 

Saiba mais sobre Simone Malta                             

Professora e bailarina Simone Malta Segurado, formada em Ballet Clássico pela Royal Academy of Dancing, participou de inúmeros cursos no Brasil e exterior. Sua atuação no cenário artístico goiano é marcada não só pela performance, mas também por grande dedicação ao ensino da dança. Assim, a partir do ano de 1998, à frente da Coordenação de Dança do Centro de Educação Profissional em Artes Basileu França e centro cultural Gustav Ritter esta bailarina e professora atuou como criadora e idealizadora do programa de ballet clássico para o ensino profissional do Centro de Educação profissional em Arte Basileu França. Por sua atuação tanto como bailarina quanto como coreógrafa e professora tem recebido inúmeros prêmios, dentre os quais destacamos a Medalha de Ouro na Categoria Trabalho Pedagógico no Festival de Dança de Joinville, Festival de Dança de Joinville 2011, e medalha de ouro no Youth American Grand Prix em New York em 2012. Em 2013, seu aluno Adhonay Soares da Silva, ganha o Prix de Lausanne. Em 2016  à frente do balé do Teatro escola Basileu França recebeu a premiação de melhor grupo no Festivas de Dança de Joinville. Em 2017 sua aluna Carolyne Freitas foi laureada com Diploma Holden e Menção Honrosa o Moscow Ballet Competition.