Entrevistamos Cícero Gomes

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Como foi o início de sua carreira?

Comecei a dançar aos 10 anos, por gosto. Assisti a um ballet na TV e por curiosidade perguntei a minha mãe o que era. Após sua resposta, alguns dias depois pedi que ela me levasse para fazer ballet e ela me levou. Comecei na minha cidade natal, Macaé. Mas aos 13 anos ganhei uma bolsa para Escola de ballet da Opera de Vienna. Após a volta de Vienna fui direto para a Escola de danças Maria Olenewa.

Qual seu contato com outras modalidades de dança?

Enquanto adolescente, fiz parte da Cia jovem de ballet do Rio de Janeiro, lá tive uma vasta experiência em várias outras modalidades. Dançavamos do Ballet clássico a Dança de salão.

Por mais que eu faça parte de uma Cia clássica, temos temporadas em outras modalidades. Dançamos muitos ballets de outras linguagens.

Quais são suas influências na dança?

Tive grandes influências. A começar pelos meus professores, sempre dei importância ao que eles me diziam. Acredito que eles são nossos grandes espelhos.

Sofri grandes influências também de alguns bailarinos, sempre admirei e observei André Valadão, Barishnikov, Ana Botafogo e Aurea Hammerli. Eram pessoas que admirava e ainda admiro. Não só por como ou que faziam em cena, mas também por suas atitudes, generosidade e por terem uma dança muito sincera.

Como você vê a vida do profissional de dança em no Brasil?

A vida profissional está cada vez mais escassa no Brasil. As Cias estão diminuindo, consequentemente o campo de trabalho também. Mas acredito que, se deixarmos por nos vencer será pior, temos cada vez mais que nos unir e mostrar que o brasileiro precisa e gosta de Arte. Temos público. Temos a população ao nosso favor. É como diz o ditado, "a voz do povo é a voz de deus".

Vai chegar um momento que vamos parar de exportar tantos excelentes bailarinos e, assim, seremos verdadeiramente uma potência mundial.

Qual sua opinião sobre os festivais competitivos de dança?

Penso ser um grande período para os estudantes. Acho necessário para um construção de carreira. Nossa vida é sempre desafiadora. Mesmo depois de profissional continuamos a sermos observados e avaliados.

O que não acho nada saudável é fazerem desse momento de aprendizado se tornar uma meta de vida. Ninguém vive de concurso. Assim como passamos pela adolescência e viramos adultos, passamos pela faculdade e nos tornamos profissionais. Esse é uma fase de nossa construção de carreira.

Que você destaca na sua carreira?

Difícil isso... Acredito que a minha coragem e insistência em fazer carreira no Brasil enfrentando todas as dificuldades do nosso país. Foi um escolha difícil mas sou muito realizado por ter feito.

Como bailarino o que inspira na dança?

A fantasia. O poder ser multi faces. O poder nos testar a cada espetáculo.  A cada espetáculo ter que ser alguém diferente. Pensar, agir como o personagem em questão. Fora o desafio de cada espetáculo ser o único. Dançar sempre como se fosse á última vez.

Qual a importância da graduação universitaria em dança na formação de um profissional de dança?

Acho de grande valia. Acredito numa formação mais profunda. No caso de um professor, existe muito mais do que apenas ensinar a fazer um tendu. Didática de ensino deve ser estudada.

Qual companhia atua no momento e quais seus planos para o futuro?

Sou primeiro bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Meus planos são os de sempre, levar arte a qualquer lugar. Arte e cultura não tomam espaço, dão espaço.

Qual seu maior sonho profissional?

Meu maior sonho é parar de dançar bem. E aí dar um outro passo no mundo da dança.

O que é a dança para você?

A dança é sublime. A dança é uma arte completa. A dança é acima de tudo generosa. Tem espaço para todos na dança. Você conseguir contar uma história sem dar uma palavra, isso é sensacional.