Dança se Move Ocupa

blog-image
Compartilhe

Entre 11 de novembro e 16 de dezembro, a Funarte São Paulo acolhe o ‘Dança se Move Ocupa’, uma intensa programação artística proposta pelo Movimento A Dança se Move, organização independente da dança contemporânea paulistana, que reúne algumas dezenas de núcleos artísticos, que vêm produzindo pesquisa e obras sempre antenados com os acontecimentos no Brasil e no mundo.

Mesmo sem nenhum tipo de apoio financeiro, durante as cinco semanas do evento, os artistas estarão mobilizados com apresentações, oficinas, cursos, debates, lançamento de livros, sessão de cinema e, principalmente, para reunir e trocar entre si e com o público experiências para o fortalecimento da arte e da cultura como produtoras de universo simbólico, que possibilite existências mais singulares, fluidas e diversas.

No domingo, dia 11/11, às 16h, inaugura o evento o “Ato-Fórum contra a Precarização da Arte e da Cultura”, que traz como convidado central para a discussão o psicanalista, psicólogo,  professor e escritor Christian Dunker, notabilizado pela renovação do pensamento de Jacques Lacan, a partir das idéias da filosofia social crítica, da antropologia pós estruturalista e das ciências da linguagem.

A partir de 17/11, com “Ato Infinito”, o mais recente trabalho da iNSAiO Cia de Arte, que fala sobre aglutinação e resistência, e “Dança para Camille”, dueto da Cia Fragmento de Dança, inspirado na vida e obra da escultora francesa Camille Claudel, têm início as apresentações coreográficas, sempre seguidas de debate com um artista mediador, que prosseguem com mais 24 trabalhos até o encerramento do evento, geralmente apresentados às sextas, sábados e domingos. Entre as criações estão “situação 3# posição amorosa”, dueto em que Wellington Duarte e Daniel Fagundes dialogam com a obra homoerótica de Hudinilson Jr para construir situações coreográficas em suas potências políticas; “Eu Elas”, de Juliana Moraes, que faz uso de gestos e posturas socialmente aceitos como femininos, para desconstruir e questionar esses comportamentos aprendidos; “Canto dos Malditos”, solo de Marcos Abranches que exacerba no corpo a solidão, o fracasso e a desesperança frente às atrocidades da vida; e Vera Sala, com “Pequenos Estudos para Não Morrer”, onde recolhe, nos destroços do corpo, potências para reinventar o que o tempo fez esquecer.  

No último dia (16/12), três criações encerram a programação: “Solos de Rua“, um jogo coreográfico do ...Avoa! Núcleo Artístico, inspirado no texto manifesto “As Embalagens”, do artista polonês Tadeusz Kantor; Estado de Coisas: Flutuante”, trabalho do núcleo Menos 1 Invisível, que experimenta os sentimentos de exclusão e precariedade como força para significar e compor;  e “Selfie é Autoretrato?”, de Beto Amorim, que contrapõe  inquietações do poeta português Fernando Pessoa sobre a tomada de consciência do processo de individuação com representações de si geradas pelo hábito atual de se auto fotografar com aparelhos celulares.

Debates, oficinas e outras ações

Nas noites de sextas-feiras, a programação reserva espaço para conversas, debates e seminários: dia 16/11, o tema foca nos “Movimentos civis organizados – participação da sociedade na criação de políticas públicas – cooperativismo/sindicalismo”, tendo à frente das discussões Sandro Borelli, presidente da Cooperativa de Dança, Rudifran Pompeu, da Cooperativa de Teatro, Dorberto Carvalho e Maria Pia Finocchio, presidentes dos Sindicatos representativos do teatro (SATED) e da dança (SindDança), respectivamente. “Lógica de Choque: Dança e Mercado" é o seminário do dia 23, com mesa formada por Helena Bastos, Helena Katz e Vera Sala. Dia 30, o debate sobre “Dança na Universidade”, organizado por Zélia Monteiro, Angela Nolf e Rafael Petri, começa após a apresentação do grupo T.16 Dança das Artes do Corpo. A conversa do dia 7/12, ”O artista negro na dança contemporânea”, será  conduzida por Everton Ferreira, Erika Moura, Erica Azeviche, Ricardo Januário, Mainá Santana e Wellington Duarte por meio de vivência inspirada na prática da Constelação Familiar, que se baseia na tradição Zulu e outras primogênitas, de respeito e reverência à ancestralidade. Com a participação de Solange Borelli e Marcelo Dino Fraccaro, o último debate, “Dança na América Latina e as Redes de Reciprocidades”, reflete sobre os modos de organização e produção de coletivos e artistas da dança que integram os países da América Latina.

Sete oficinas práticas de dança, com foco em dramaturgia, improvisação, criação, consciência corporal e abordagens de educação somática, uma teórica sobre o funcionamento e elaboração do orçamento municipal da cidade de São Paulo, e uma JAM de Contato Improvisação também acontecem em dias e horários variados, para ampliar a possibilidade de participação. ‘O Dança se Move Ocupa’ também fará uma sessão de exibição do filme “Outono 2”, concebido por Beth Bastos e o artista visual Sandro Miano, que propõe uma reflexão entre a pausa na dança e a pausa na fotografia, enfatizando a permanência da imagem, seguida pela performance “Observatório”, que convida o público a captar imagens, com celulares, câmeras, desenhos, e participar da construção da composição em tempo real, na área externa da Funarte.

Realizada num momento importante vivido pela Arte e a Cultura no país, como forma de resistência, coesão, pulsação de vários corpos e vozes, o “Dança se move Ocupa” reafirma a relação de parceria histórica da Funarte com os movimentos artísticos ao longo de sua existência.

As atividades têm preço simbólico de 5 e 10 reais (espetáculos e oficinas; debates, gratuitos).

Abaixo a programação completa, também disponível no site e na página do evento:

http://dancasemove.blogspot.com/

https://www.facebook.com/adancasemove/

Dança se Move Ocupa – seis debates e palestras; 26 espetáculos, performances e intervenções urbanas; nove oficinas; uma Jam, lançamento de livros e exibição de filme.

De 11/11 a 16/12

Complexo Cultural Funarte SP

Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos, São Paulo – Tel: (11) 3662-5177

Ingressos: contribuição simbólica de R$ 10,00 (R$ 5,00 – meia), para espetáculos e oficinas.