DANÇA CONTEMPORÂNEA DE SÃO PAULO NO ITAÚ CULTURAL

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A dança contemporânea ganha destaque na programação do Itaú Cultural em março. Com a proposta de criar um panorama da produção no segmento feita em São Paulo, serão apresentados nove espetáculos, de grupos e solos, atuais ou de repertório, em oito dias durante o mês. A ideia é construir uma narrativa por meio de diversas vozes das danças contemporâneas na cidade, através dos trabalhos da Cia Treme Terra, Jorge Garcia Companhia de Dança, Grupo Zumb.Boys e dos coreógrafos Ângelo Madureira, Diogo Granato e Henrique Lima, Eduardo Fukushima, Elisabete Finger, Juliana Moraes e Key Sawao.

 

Com a proposta de valorizar a mediação cultural com o público, a programação conta com um bate-papo aberto após cada espetáculo, para que espectadores e criadores possam discutir sobre as obras e seus processos de criação, ampliando o olhar para as danças contemporâneas produzidas em São Paulo. Os encontros são mediados pelas críticas de dança Ana Francisca Ponzio e Simone Alcântara.

 

A mostra abre no dia 4, sábado, às 20h, com o espetáculo Terreiro Urbano, criação coletiva da Cia Treme Terra inspirada na mitologia dos orixás. Com direção coreográfica de Firmino Pitanga e musical de João Nascimento, o espetáculo da cia paulistana dialoga diretamente com o universo dos orixás em músicas e coreografias, fazendo um retrato da diáspora africana e suas influências sobre a diversidade cultural de uma grande metrópole.

 

A base de Terreiro Urbano é a representação simbólica de um xirê – cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, com sequência de danças do candomblé –, mas sem se propor a representar o terreiro tradicional no palco. Trata-se de uma releitura contemporânea do ritual, buscando um novo olhar para as linguagens corporais e sonoras que dialogam com os elementos urbanos da vida cotidiana. O espetáculo, estreado em 2012, inspirou a Cia Treme Terra a gravar um disco com trilha autoral e de domínio público de Terreiro Urbano, que será lançado no dia da apresentação no Itaú Cultural.

 

No domingo, dia 5, a Jorge Garcia Companhia de Dança entra em cena às 19h, com Imprimi Potest – expressão que em latim significa “pode ser impresso”, e é usada como uma aprovação oficial de uma autoridade superior da Igreja Católica para que uma obra escrita por um membro de uma ordem religiosa seja publicada. A partir desse conceito, o coreógrafo Jorge Garcia transpõem para os corpos do elenco o desafio de liberdade e a possibilidade de transformação em cada lugar e a cada momento. Por meio do improviso, eles utilizam elementos cênicos estruturais, sonoros e físicos de princípios coreográficos para investigar e reestruturar o ambiente.

 

Experiências

Abrindo a segunda semana da programação, a coreógrafa paulista Key Sawao sobe ao palco da Sala Itaú Cultural no dia 9 de março (quinta-feira), às 20h, para apresentar Experiência 3. Tendo a baterista Mariá Portugal como artista convidada, o espetáculo coloca a música criando espaços e tempos, assim como a dança. Desta forma, dança e música fazem uma espécie de pacto de criação em tempo real, com percursos que ao mesmo tempo que correm em paralelo, se cruzam e se afetam.

 

Os estudos para a série tiveram início em 2014, a partir do processo de pesquisa do núcleo key zetta e cia., que dirige em parceria com Ricardo Iazzetta, sobre questões de cruzamento e coexistência de tempos no corpo, e a relação entre linguagem, imaginário e criação.

 

No dia 10 (sexta-feira), no mesmo horário, Juliana Moraes interpreta Desmonte, inspirada na experiência vivida com Gustavo Sol, codiretor da coreografia, quando este foi tratado de uma doença grave. Guiada por uma partitura sonora que ouve em um fone, composta por poemas de Vaslav Nijinsky, vozes do cotidiano e escritos, a coreógrafa pressiona o corpo até o limite da estrutura cênica, por meio de movimentos do balé clássico e de controles externos por campainhas.

 

Últimos dias

A mostra é retomada no dia 23 de março, quinta-feira, com duas apresentações seguidas, a partir das 20h. Em Entre Contenções, lançada em 2008, o coreógrafo Eduardo Fukushima cria desenhos por meio de gestos, buscando explorar as possibilidades de comunicação do movimento e delineando os limites da expressão verbal. A performance, que tem cerca de 18 minutos de duração, rendeu a Fukushima o Prêmio Funarte Klauss Viana.

 

Na sequência, o público confere Amarelo, projeto contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural Dança 2006-2007, no qual Elisabete Finger propõe uma experiência sensorial entre massa, pele, plástico, espinhos e goiabada, entre toque, gosto e cheiro. Segundo a coreógrafa paranaense, as formas e imagens geradas nessa experiência não são uma conclusão, e sim um manancial de passados e futuros possíveis. As formas surgem na prática e se tornam o princípio de uma trajetória: a contingência do fazer, desmanchar, transformar.

 

No dia 24, o coreógrafo pernambucano Ângelo Madureira apresenta Delírio, uma obra lúdica com características marcantes sobre como representar a dança popular em cena. A partir do conceito de que frevo é a música e passo é a dança, definido por Waldemar de Oliveira no livro Frevo, Capoeira e Passo, Madureira passou a se questionar o que se dançaria caso fosse retirada a música do frevo. Assim, desenvolveu um solo de bateria, onde substituiu a música do frevo pelo som do rock progressivo.

 

No dia seguinte, 25, no mesmo horário, Graxa coloca em cena Diogo Granato e Henrique Lima, bailarinos com diferentes formações e técnicas, da dança contemporânea e popular ao teatro, circo e parkour. Eles juntam seus caminhos de coreografia e improvisação inspirados pela capacidade de adesão da graxa, na estabilidade da viscosidade em função do movimento, com resistência ao desalojamento e às extremas pressões.

 

A programação encerra no dia 26 de março (domingo), 19h, com O Que Se Rouba, com Grupo Zumb.Boys. Com direção geral de Márcio Greyk, que também entra em cena ao lado dos intérpretes criadores Danilo Nonato, David Castro e Guilherme Ferreira, o espetáculo faz uma analise sobre o desejo de querer ter do ser humano e sobre a necessidade em pertencer a algum lugar, de ser parte de algo.

 

PROGRAMAÇÃO

 

Dia 4 de março (sábado), às 20h

Terreiro Urbano

Com Cia Treme Terra

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 5 de março (domingo), às 19h

Imprimi Potest

Com Jorge Garcia Companhia de Dança

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 9 de março (quinta-feira), às 20h

Experiência 3

Com Key Sawao

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 10 de março (sexta-feira), às 20h

Desmonte

Com Juliana Moraes

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 23 de março (quinta-feira), às 20h

Entre Contenções

Com Eduardo Fukushima

Duração: 18 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Amarelo

Com Elisabete Finger

Duração: 35 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 24 de março (sexta-feira), às 20h

Delírio

Com Ângelo Madureira

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 25 de março (sábado), às 20h

Graxa

Com Diogo Granato e Henrique Lima

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 26 de março (domingo), 19h

O Que Se Rouba

Com Grupo Zumb.Boys

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

 

SERVIÇO

Mostra de Dança

Dias 4, 9, 10, 23, 24 e 25 de março, às 20h

Dias 5 e 26 de março, às 19h

Sala Itaú Cultural (piso térreo) 254 lugares

 

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

 

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1776/1777

Acesso para pessoas com deficiência

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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