Claudinei Garcia

Compartilhe

Claudinei Garcia

Bailarino, coreografo e diretor da Escola de Dança do GEMDA (Grupo Experimental de Musica e Dança) na cidade de Aveiro em Portugal.

Quais lembranças do início de sua carreira?

Sempre boas e excelentes lembranças, ter iniciado os estudos em dança lá no Raça e ter vivido todo aquele processo inicial  foi um aprendizado muito grande, como bailarino, como coreógrafo e como professor! A Roseli sempre foi uma pessoa muito determinada e  visionária, conseguia tirar o melhor de cada um, nos motivava e ensinava como ser um artista dentro e fora de cena, ter a oportunidade de viver cada dia ao lado dela e todo o processo de desenvolvimento do Raça foi muito enriquecedor.

São ensinamentos que ficam pra uma vida toda, acredito que a carreira de um bailarino é igual a qualquer outra profissão, vc tem que trabalhar estudar e dar o seu melhor  para conseguir o seu objetivo e realização pessoal. Você pode começar como um bailarino, ser professor, ser coreógrafo, ser diretor, curador, empresário, dono de escola enfim.... Muita coisa do que sou hj devo ao meu início de carreira a determinação, a vontade de fazer diferente, de aprender o nome Raça não foi por acaso, nós tínhamos "sangue nos olhos" sempre com a vontade de crescer e fazer o melhor a cada dia, e é isso que levo comigo até hoje!

Como você vê a vida do profissional de dança em Portugal?

Aqui em Portugal um profissional de dança que queira seguir a carreira acadêmica ( dar aulas) tem um bom campo de trabalho, existem os Conservatórios de dança ( O Colegial ai no Brasil) onde as pessoas tem as matérias normais ( Português, Matemática etc...) de acordo com seu ano e você pode escolher também entre Dança, Música ou Teatro. É claro que pra entrar nos quadros dos professores você precisa ter um curso superior em dança, mestrado ou doutorado. Outra opção são as escolas de dança particulares que tambèm tem crescido bastante.

Agora pra quem quer dançar é um pouco diferente, depois da crise de 2008 a Dgartes Direção Nacional das Artes (Um Órgão do Governo Português) cortou o subsídio de várias companhias de dança, acredito que  hoje só a CNB que tem um bom salário e trabalha regularmente,  as outras companhias adotaram outra forma de trabalhar! Fazem uma audição para projetos que pode durar um ano ou mais, fazem as residências artísticas, montam o trabalho e rodam em turnê por Portugal e estrangeiro. Mas tem uma particularidade se você tiver empregado num conservatório ou numa escola de dança bem estruturada vc consegue ter uma vida com mais segurança com direitos, plano de reforma e saúde e seguro.

Qual sua opinião sobre os festivais competitivos de dança?

Festivais de dança eu só sou a favor se o festival te der alguma continuidade, uma bolsa de estudos ou estágio numa grande companhia ou escola. Hoje em dia mesmo aqui em Portugal as pessoas fazem festivais pra ganhar dinheiro e se os competidores não tiverem uma boa orientação à carreira de um bailarino  termina ali mesmo, ou por que não ganhou e se acha péssimo e quando ganha se acha o máximo... enfim acredito que o lado positivo do festival pra quem tem uma boa sensibilidade não é ganhar ou perder ,é a experiência e o convívio que existe num grande festival.

Como professor o que inspira em suas aulas?

A dança é um agente transformador, o que mais me inspira é conseguir tirar do meu aluno o melhor,  na dança e como pessoa... nós professores fazemos mais do que ensinar a dançar, podemos transformar uma pessoa, fazê-la descobrir coisas e sensações nunca sentidas. É gratificante quando um aluno consegue fazer um passo, entrar em cena, fazer uma aula e esquecer-se dos problemas, da depressão, do medo, da ansiedade...  ensinar a dançar é muito mais, muito mais daquilo que nós vemos

Como coreografo qual sua linha coreográfica e o que inspira em seus trabalhos?

Hoje em dia trabalho com dança contemporânea, gosto da técnica release. Aliada a dança teatro e trabalho físico (parkur, ginástica animal, artes marciais) Nos meus trabalhos gosto de falar sobre relações, relação entre pessoas, relações com o mundo contemporâneo, como me relaciono comigo e com tudo a minha volta. Vivemos num mundo onde tudo é muito rápido, tudo muda a toda hora as pessoas não tem mais paciência nem tempo pra se relacionar com tudo isto que esta aqui e que amanhã já não esta. Tudo é muito descartável e superficial.  Quero que as pessoas que dancem meu trabalho entendam o porquê de cada intenção e saiam com algum aprendizado disto.

Qual a importância da graduação universitária em dança na formação de um profissional de dança? 

Todo o estudo é sempre importante, conhecimento é uma coisa que ninguém nos tira. Acredito que a graduação em dança é importante, eu mesmo não tinha um curso superior quando comecei a dar aulas era outra época, eram outros tempos a faculdade de dança que existia era só na Bahia, mas hoje já é diferente as pessoas tem a possibilidade de estudar e acredito que se puderem devem fazê-lo. Mas como qualquer profissão não é um canudo que faz o profissional, dançar em uma companhia, trabalhar com vários profissionais de peso faz toda a diferença! Quem é um profissional  da minha época sabe o que estou falando o dia á dia não era fácil,  não tínhamos metade da informação que temos hj, equipamentos tudo era mais difícil, só quem queria muito é que conseguia alguma coisa. A dança pra mim é minha profissão, a profissão que me transformou fez crescer, aprender, errar, pensar, estudar, conhecer pessoas, conhecer lugares, me conhecer, ajudar pessoas, superar obstáculos, fazer amigos, irmãos e irmãs, esta no meu DNA. A dança me deu muitas coisas. Gostaria que todo o profissional conseguisse trabalhar naquilo que gosta me sinto realizado e grato por poder trabalhar com aquilo que gosto!

Saiba mais sobre a Claudinei por ele:

Não gosto muito de falar de mim. Mas como voce Ivan Grandi mesmo disse pra mim uma vez em Joinville que eu era um empreendedor da dança, não sei se vc lembra disto!! Foi logo quando fui pra Brasília!

Acredito que eu sou uma pessoa que busca desafios, quero aprender e  crescer na minha profissão e o mais importante, tudo que fiz sempre foi por amor e por acreditar em mim e no projeto que estava envolvido como bailarino, coreógrafo ou diretor, nunca pensei em fazer sucesso ou ter fama, só queria fazer o melhor que conseguia no momento e as coisas foram acontecendo. Tive muitas pessoas importantes que me ajudaram amigos, irmãos e irmãs, Professores, Coreógrafos, Diretores da época do Raça, em Ribeirão Preto, Araraquara na Verônica Ballet, nos Músicas, em Brasília na Grécia e agora em Portugal, cada momento cada pessoa me ajudou e incentivou de maneira diferente, sou mesmo feliz por tudo aquilo que passei por que eu sei que é muito difícil trabalhar naquilo que gosta e ainda estar na ativa buscando novos caminhos.

 

Ajude-nos a manter o trabalho da Dança Brasil

O jornalismo acompanha e divulga a arte da dança.

Está a serviço da arte da dança e da diversidade de opinião.

Há 27 anos Dança Brasil exercita o jornalismo transparente, fiel à verdade factual, atenta a diversidade cultural na area da dança.

Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores.

Faça parte da Dança Brasil assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica.

A arte da dança agradece.

Clique no link abaixo e faça sua assinatura anual apenas R$ 55,00

https://www.paypal.com/webapps/hermes?token=32F02702HK5524050&useraction=commit&mfid=1553687958902_64c5971e79a3b