CIA TREME TERRA COMEMORA DEZ ANOS.

blog-image
Compartilhe

A Cia Treme Terra de Música e Dança Contemporânea comemora dez anos com o lançamento de seu primeiro disco, “Terreiro Urbano”, e a realização de espetáculos gratuitos nos dias 04/03 (Itaú Cultural), 17/03 (Teatro Sérgio Cardoso), 18/03 (Teatro Solano Trindade, em Embu) e 25/03 (Teatro Polytheama, em Jundiai). O disco “Terreiro Urbano” traz treze faixas autorais e de domínio público com direção musical de João Nascimento e participações especiais de Z'África Brasil, Lira, Adriana Moreira e Dinho Nascimento. O projeto foi contemplado no Edital ProAC 20/2015 da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo (Gravação de disco inédito e circulação de espetáculo). A gravação e mixagem é de Lindenberg Oliveira e masterização de Carlos Freitas.

 

Uma criação coletiva do grupo Treme Terra inspirada na mitologia dos orixás, o espetáculo Terreiro Urbano é composto por coreografias e músicas que dialogam com este universo e formam fotografias da diaspora africana e suas influências sobre as outras culturas existentes na grande metrópole. “Terreiro Urbano” está baseado na representação simbólica de um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, sequência de danças do candomblé, que começa com Exu e finaliza com Oxalá).

 

A ideia do espetáculo não é representar o terreiro tradicional no palco da forma como ele é feito em seus rituais sacros, mas sim, criar uma releitura contemporânea desta manifestação, um caleidoscópio da cultura afro-brasileira a partir da mitologia dos orixás, seus cantos e movimentações. Na crença yorubá, os orixás representam as forças da natureza e recebem a incumbência de criar e governar a terra, ficando cada entidade responsável pelas dimensões emocionais, sociais e culturais da sociedade. As danças legitimam o sagrado e principalmente comunicam, trazem antigas memórias, ancestralidade, mitos fundadores e também a estética ritualizada do orixá.

 

Com o intuito de investigar o terreiro tradicional em seu context urbano, as músicas caminham nessa mesma perspectiva: canções brasileiras algumas cantadas em dialeto yorubá são acompanhadas dos toques tradicionais específicos dos orixás (ijexá, congo, barra-vento, alujá, batá, ilú, adarrun e outros), formando trilhas autorais que são executadas em tambores tradicionais (atabaque, agogô, xequerê, adjá, berimbaus e surdos), tambores de sucatas (tonéis de lata, conduítes, ferros e garrafas), instrumentos convencionais (flauta, guitarra e contrabaixo) e instrumentos eletrônicos (processadores digitais), formando arranjos peculiares contemporâneos que misturam elementos da música tradicional dos terreiros e da música moderna urbana.

 

A música assume papel essencial para a construção desta narrativa, um fio condutor que permeia cada cena, que interliga cada coreografia e contribui para a composição das fotografias que representam os arquétipos de cada orixá cultuado no Brasil.

 

A pesquisa do projeto Terreiro Urbano iniciou-se em fevereiro de 2011 e foi patrocinada pelo ProAC (edital 18/2011) e Petrobras (Governo Federal). A direção geral e musical é de João Nascimento e a coreografia fica sob a responsabilidade de Firmino Pitanga. Os materiais cênicos foram produzidos por Júlio Dojcsar e o figurino por Vana Marcondes.

 

Dirigido por Firmino Pitanga e João Nascimento, o espetáculo é baseado na representação simbólica de um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, sequência de danças do candomblé, que começa com Exu e finaliza com Oxalá). A ideia não é representar o terreiro tradicional no palco da forma como ele é feito em seus rituais sacros, mas sim, criar uma releitura contemporânea desta manifestação, um caleidoscópio da cultura afro-brasileira a partir da mitologia dos orixás e seus arquétipos, seus cantos e movimentações. Em 2012, o espetáculo teve estréia no Auditório do MASP e depois circulou por diversos teatros da cidade de São Paulo, em 2013 o grupo se apresentou na Europa circulando por diversos palcos da Alemanha e Bulgária.
 

Sobre a Cia Treme Terra - Em 2008, com o propósito de valorizar, pesquisar e difundir a Cultura Negra, surge a Cia Treme Terra, fruto das atividades de formação artística sócio-culturais promovidas no Morro do Querosene, zona oeste da cidade de São Paulo, contribuindo para a descentralização da produção de dança contemporânea na cidade. Em 2009, a Cia se muda para o bairro do Rio Pequeno e cria o Afrobase, sede da Cia e núcleo de formação nas linguagens de dança e música, buscando promover a transdisciplinaridade e constituir um espaço de discussão, troca e pesquisa acerca da Cultura Negra em diálogo com a comunidade do entorno. Neste mesmo ano, a Cia cria sua primeira obra chamada Cultura de Resistência, espetáculo que aponta o início da pesquisa em Dança Negra Contemporânea, qual centrave-se na promoção do diálogo da linguagem da música com a dança. O trabalho contou com a direção geral, artistica e musical de João Nascimento e direção de coreográfica de Kelliy Anjos. 

Cultura de Resistência é uma obra que aborda o processo da diáspora negra e sua contribuição para a formação da Cultura Negra no Brasil, auxiliando na discussão acerca do conceito de “Quilombo Urbano”, como espaço simbólico de resistência cultural que se aloja na cidade e mantém valores herdados pela Cultura Negra diante de um contexto atual e urbano. Esse projeto também resultou na criação de um álbum musical com as trilhas criadas para o espetáculo e um vídeo-documental com performances de dança em espaço público e depoimentos de importantes artistas que contribuíram para processo de montagem desta obra.

 

O espetáculo estreou na Galeria Olido, palco da Sala Olido, e circulou por importantes palcos da cidade de São Paulo, tais como SESC Vila Mariana, SESC Ipiranga, SESC Santo André, Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural da Juventude, Museu Afro Brasil, Universidade Anhembi Morumbi, Museu da Imagem e do Som, Espaço Cachoeira, Secretaria Municipal de Osasco e Espaço do Movimento Negro da Universidade de São Paulo. A CIa também foi convidada para integrar a programação de alguns festivais, tais como Festival Planeta no Parque (2011-2012), Festival Black na Cena (2911), Festa de Bumba-meu-boi no Morro do Querosene e São Paulo Fashion Week (2009).

 

Em 2009, a Cia convida o coreógrafo Firmino Pitanga para dar início ao novo projeto de pesquisa intitulado Terreiro Urbano, estreado em 2012, no Grande Auditório do Masp. Utilizando-se do vocabulário da Dança Negra, a Cia desenvolveu uma pesquisa sobre as danças dos orixás em contexto urbano. Baseado na representação simbólica de um xirê, a Cia resignifica esta manifestação, trazendo-a para o contexto urbano. O espetáculo contou com a apresentacão nos seguintes espaços: Auditório do Ibirapuera, Sala Paissandu (Galeria Olido), Fabrica de Cultura Jardim São Luiz, SESC Pompéia, SESC Taubaté, Teatro da UMES, entre outros. No ano de 2013, a Cia foi convidada para representar o Brasil com o espetáculo Terreiro Urbano no programa de circulacão da Europa Kinder Kultur Karawane, contando com cerca de 20 apresentações na Alemanha e Bulgária e cerca de 15 workshops de Dança Negra e Música Afro-brasileira.
 

 

ELENCO: Andrus SantanaTerená Bueno KanoutéThiago Dos Santos BilieriLuciano VirgilioBeatriz Cristina, Malu Avelar, João NascimentoDaniel PrethoGuilherme Ribeiro FrattiniUbiratan NascimentoPaulinho PaesPedro Henrique Dos SantosRafael Mansor VichiAfroJu Rodrigues e Marcela Pil.
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Adriana Moreira
PRODUÇÃO: Fernanda RodriguesAlexandre Alves e Pedro Henrique Dos Santos
GRAFITE DIGITAL: Achiles Luciano
FIGURINO: Silvana Marcondes
CENÁRIO: Julio Dojcsar
ILUMINAÇÃO: André Rodrigues
TÉCNICO DE SOM: Lindenberg Oliveira